Saúde 4 Saúde

Através de uma aprendizagem global, desde os fundamentos do funcionamento do corpo humano à importância dos relacionamentos na construção da personalidade, passando pelos bons hábitos, visa permitir-lhe assumir o controlo sobre a sua saúde e bem estar.

Lições

Primeiros socorros e prevenção em Casa

Introdução

Por vezes, ocorrem determinados incidentes em casa que podem rapidamente degenerar em dramas familiares, caso não se saiba como preveni-los ou como intervir adequadamente na sua resolução.

Actualmente, morrem mais crianças em consequência de acidentes do que por doença. Os acidentes de trânsito, os afogamentos, as quedas, as queimaduras e as intoxicações têm, como consequência cada vez mais frequente, a morte.

Em Portugal, segundo o Instituto de Defesa do Consumidor, a taxa de mortalidade infantil provocada por acidentes domésticos e de lazer, é a mais elevada dos países da UE, em crianças até aos 14 anos. Anualmente, em cada 10 000 crianças com menos de 14 anos, 1000 sofrem de acidentes domésticos e de lazer. Destas, 80 necessitam de intervenção médica prolongada (internamento) e 2 morrem. Importa ainda salientar que metade destes acidentes ocorre no domicílio, principalmente na cozinha e na casa do banho.

PRIMEIROS SOCORROS

Sem qualquer pretensão de tentar substituir o Manual de Primeiros Socorros da Cruz Vermelha, listamos alguns conselhos que pretendem ajudar os alunos deste curso a documentarem-se e a obterem a formação necessária, tendo em vista uma correcta e atempada intervenção perante determinados acidentes. Qualquer situação, mesmo a mais crítica, pode ser enfrentada sem pânico desde que estejamos preparados. O socorrismo deve fazer parte da nossa formação. Apesar de ser uma técnica é também um estado de espírito, pois é necessário saber socorrer, intervir rapidamente e salvar, tanto no lar como na via pública,

As Urgências

O que fazer em caso de urgência? Como socorrer uma pessoa que foi vítima de queimadura, síncope ou hemorragia?

  1. Em primeiro lugar, devemos saber o que não convém fazer.
  2. Depois, devemos saber actuar para salvar uma vida.
  3. Por fim, devemos saber que meios de socorro alertar.

Como examinar um acidentado?
É preciso interrogar-se:

  1. O ferido respira? Como? Com dificuldade?
  2. Está a sangrar? Em caso afirmativo, de que tipo de hemorragia se trata?
  3. Está consciente?
  4. Tem uma ou mais fracturas? Existem outras lesões?
  5. Está em choque?

Enquanto se espera pelos meios de socorro apropriados, convém agir do seguinte modo:

  1. Prioritariamente, deve verificar-se se há asfixia e, em caso afirmativo, praticar a respiração artificial, pelo método de boca-a-boca.
  2. Se houver uma hemorragia, é importante estancá-la rapidamente.
  3. Em caso de fractura, quer seja exposta ou não, nunca tente tratá-la, mas imobilize o membro na posição em que se encontra.
  4. Atenue a dor ao acidentado, imobilizando-o e instalando-o o mais confortavelmente possível. Mantenha-o deitado, acalmando-o, aquecendo-o e reconfortando-o. Não lhe dê bebidas alcoólicas.
  5. Evite remover um ferido. No caso das circunstâncias o exigirem, por exemplo para o afastar do risco de acidente, aja com cuidado e precaução.

Medidas de Urgência

Quando não é possível obter socorro rapidamente, as medidas de urgência a pôr em prática são as descritas a seguir.

1) Dificuldade respiratória

a. Em caso de electrocussão, corte imediatamente a corrente ou isole o fio eléctrico, mas tome todas as precauções para evitar que também seja electrocutado. Se se tratar de um caso de asfixia por gás, retire imediatamente a vítima do local e ventile o respectivo espaço.

b. Alivie as vias respiratórias. Afrouxe as roupas, tire a gravata e o cinto.

c. Pratique o método de respiração boca-a-boca. A insuflação deve ser feita a um ritmo de cerca de vinte a trinta movimentos por minuto. A frequência de insuflação é tanto maior quanto mais nova for a criança acidentada. Num recém-nascido, ou numa criança pequena, deve colocar a boca sobre a sua boca e nariz simultaneamente, aumentando o ritmo de insuflação para vinte e cinco a quarenta movimentos por minuto. Não inicie a respiração artificial sem se certificar de que as vias respiratórias estão desobstruídas. Se sentir que o peito da vítima se eleva ligeiramente, retire a boca para permitir que o acidentado expire. Se a criança vomitar, limpe-a completamente e recomece os movimentos, insuflando de quatro em quatro segundos. Dado que a respiração artificial é muito cansativa, solicite ajuda para poder descansar.

2) Hemorragia

a. Hemorragia interna.
Este tipo de hemorragia pode surgir em acidentados com contusões no ventre, no peito e nas costas. Se o acidentado estiver em estado de choque (palidez, sede, ansiedade, frio, pulso rápido e débil), deite-o, colocando-lhe a cabeça mais baixa e elevando-lhe as pernas. Agasalhe-o para evitar que arrefeça. Transmita-lhe calma e evacue-o com urgência, para que não ocorra um agravamento do estado geral.

b. Hemorragia externa.
Quer se trate de uma hemorragia arterial (jacto de sangue vermelho vivo, ao ritmo das batidas cardíacas) ou venosa (emissão lenta mas uniforme de sangue escuro) tente estancá-la o mais rápido possível. Cerca de cinco litros de sangue circulam numa rede circulatória fechada de onde se podem escapar num ápice, caso um vaso sanguíneo sofra uma ruptura. Nestas circunstâncias, importa intervir muito rapidamente

i. Pressione directamente sobre a ferida com a ajuda de um penso compressivo improvisado ou com uma almofada hemostática de urgência. Nos casos mais raros, mas mais graves, como seja uma artéria principal seccionada, comprima o vaso ferido entre o coração e a zona que sangra nos chamados pontos de compressão utilizando, para isso, o polegar ou o punho. Estes pontos de compressão são vários, mas limitar-nos-emos a indicar os mais importantes:

  1. Hemorragia do membro superior. A pressão é feita, com os dedos ou o polegar, sobre a face interna do braço, perto da axila, de forma a apertar a artéria humeral contra o músculo bicípede.
  2. Hemorragia do membro inferior. A pressão é feita com o punho, na face anterior da coxa, logo abaixo da virilha, de forma a apertar a artéria femoral.
  3. Hemorragia da cabeça. A pressão é feita, de forma suave, com o polegar sobre a carótida, próximo do ângulo do maxilar.

ii. Deite a vítima na posição horizontal, pois ela pode entrar em estado de choque.

iii. Chame o INEM para que o paciente possa ser transportado de urgência para o hospital.

c. Pequenos golpes. Lave cuidadosamente o ferimento com água morna e sabão azul e branco ou, se dispuser de um estojo de farmácia, com água oxigenada. Limpe com uma compressa e não com algodão. Extraia os corpos estranhos, corte os pêlos rentes e as peles mortas e coloque uma compressa de gaze esterilizada, que pode fixar com uma ligadura. O penso deve ser renovado de dois em dois dias. Quando a ferida começar a cicatrizar deixe-a ao ar.

3) Queimaduras

As queimaduras são lesões provocadas por diversas causas:

  • Calor (corpos sólidos, líquidos a ferver, vapor ou chamas)
  • Sol
  • Produtos químicos (ácidos, bases cáusticas)
  • Electricidade
  • Radiações radioactivas
  • Fricções (particularmente as fricções provocadas pelos sapatos nos pés)

Uma queimadura é tanto mais grave quanto maior for a sua extensão ou profundidade, sujidade, a fragilidade da pessoa atingida ou a sensibilidade das partes afectadas (rosto, tubo digestivo, nádegas).

Em medicina, distinguem-se três graus de queimaduras:

a) A queimadura de 1.º grau, superficial e pouco extensa, é caracterizada por uma vermelhidão da pele produzida por uma exposição demasiado prolongada aos raios do sol, por exemplo. Para tratamento deste tipo de queimaduras podem aplicar-se pomadas ácidas (pH = 2), ou polvilhar a superfície com talco esterilizado, para a proteger do contacto com a roupa. Deve, ainda, vigiar-se o paciente durante vinte e quatro horas, já que existe o risco de golpe de calor.

b) A queimadura de 2.º grau atinge a epiderme, provocando uma ou mais empolas, ao fim de algumas horas. A empola, ou bolha mais usual, é a provocada pela fricção do calçado no pé. Depois da ruptura, esta bolha pode infectar, sendo preferível rebentá-la com uma agulha esterilizada e, em seguida, desinfectá-la (nunca com álcool ou éter) e aplicar-lhe um penso. No caso da empola estar já rebentada e as peles começarem a separar-se, convém removê-las com uma tesoura esterilizada. Se possível, é preferível deixar a bolha intacta pois constitui uma protecção natural eficaz. Tratando-se de uma queimadura provocada pelo calor (água ou óleo a ferver, ferro eléctrico ou de soldar) pode evitar-se a formação de empolas, aliviar consideravelmente, ou até mesmo suprimir a dor, aplicando imediatamente sobre a superfície queimada um saco de gelo. Se não se tiver procedido deste modo e se tiver formado uma ferida, ou se estiver em risco iminente de formação de uma ferida, obter-se-á uma rápida assepsia e cicatrização se aplicar um penso com uma compressa gordurosa (à venda nas farmácias). Para este género de ferida nunca se deve aplicar talco, substâncias gordas não assépticas (como a manteiga por exemplo), nem substâncias corantes como o mercurocromo ou a tintura de iodo.

c) A queimadura de 3.º grau é sempre grave e necessita de hospitalização imediata. A sua gravidade é determinada pela sua extensão, profundidade, região atingida, sujidade e estado geral da pessoa. Neste caso, não é aconselhado fazer qualquer tratamento específico. A intervenção sobre este tipo de queimaduras deve limitar-se ao envolvimento do ferido num lençol esterilizado ou, pelo menos, limpo e transportá-lo ao hospital mais próximo, deitado, coberto, com a cabeça mais baixa do que o resto do corpo. Não deve retirar-se a roupa do corpo, convindo aspergir com água fria as partes atingidas e dar-se água a beber, se a vítima estiver consciente, caso contrário, deve humedecer-se frequentemente os seus lábios.

4) Enregelamento

O enregelamento é uma lesão provocada pelo frio. Produz-se, sobretudo, nas extremidades dos membros e no rosto (nariz, orelhas), sendo provocado por frio húmido, imobilidade prolongada, calçado ou roupa apertada e fadiga. Manifesta-se pela sensação de entorpecimento ou de formigueiro e as partes atingidas ficam pálidas, insensíveis e frias. No momento do reaquecimento, que é muito doloroso, podem surgir lesões, frequentemente profundas, semelhantes a queimaduras.

Quando a dormência e os formigueiros começam a manifestar-se, o tratamento mais indicado consiste em reaquecer as extremidades, movimentando-as e friccionando-as energicamente.

Nos casos mais graves de enregelamento, a única coisa a fazer é transportar urgentemente a vítima, envolvida em cobertores, ao hospital. Não tente intervir aquecendo a zona afectada através de banho quente, exposição ao fogo ou fricção.

É importante não confundir os enregelamentos com as frieiras, que se manifestam comummente através de inchaço, comichão e aparecimento de fendas nas mãos. Em geral, no caso das frieiras, um tratamento local, prescrito pelo médico, permitirá a obtenção de óptimos resultados.

5) Envenenamento

O envenenamento é provocado pela ingestão de alimentos deteriorados (carne, artigos de salsicharia, mariscos, ovos, conservas), de produtos tóxicos (detergentes, insecticidas), ou de medicamentos. Em geral, o envenenamento manifesta-se por violentas dores abdominais, náuseas, vómitos repetidos, vertigens, síncope ou delírio, podendo ainda associar-se a arrepios, suores frios e transpiração abundante.

Em caso de envenenamento, antes de tomar qualquer atitude é importante identificar a natureza do veneno ingerido, após o que se deve contactar, com urgência, o Centro Anti-venenos ou o hospital mais próximo. É importante não provocar o vómito ou tomar qualquer outra atitude até ter indicações claras do Centro Anti-venenos (contacto telefónico do Centro Anti-veneno: 808 250 143).

6) Indisposições

Deite o paciente confortavelmente com a cabeça e ombros levantados. Chame um médico.

7) Corpos estranhos nos olhos

Quando um pequeno insecto, uma partícula de pó ou qualquer outro corpo estranho se alojam num olho, deve tentar retirá-lo com a ponta de um lenço limpo ou de uma compressa. Se for necessário, deve voltar a pálpebra ao contrário com o auxílio de uma cotonete. Se o corpo estranho estiver alojado na córnea (corpo metálico ou um estilhaço de vidro) deve colocar uma compressa sobre o olho e conduzir a vítima a um oftalmologista ou a um serviço de urgências. Se o olho estiver ferido, deve proceder da mesma forma e transportar o ferido deitado de costas e com a cabeça imobilizada, para evitar que o olho se esvazie do seu conteúdo.

8) Engasgamento

O engasgamento é uma situação frequente de obstrução das vias aéreas superiores por um corpo estranho. A manobra de Heimelich é o melhor método pré-hospitalar de desobstrução das vias aéreas superiores. A pessoa a aplicar a manobra deverá posicionar-se atrás da vítima, fechar o punho e posicioná-lo com o polegar para dentro entre o umbigo e o osso esterno. Com a outra mão, deverá segurar o seu punho e puxar ambas as mãos na sua direcção, com um rápido empurrão de baixo para cima e para dentro a partir dos cotovelos. Deve comprimir-se a parte superior do abdómen contra a base dos pulmões, para expulsar o ar que ainda resta e forçar a eliminação do bloqueio. É essencial repetir-se a manobra de cinco a oito vezes. Cada empurrão deve ser suficientemente vigoroso para deslocar o bloqueio. Um indivíduo engasgado, sozinho, deve debruçar-se sobre algo como as costas de uma cadeira e comprimir o seu abdómen energicamente.

PREVENÇÃO EM CASA

A melhor forma de evitar acidentes domésticos e de lazer é a criação de um ambiente de segurança, sobretudo em casa.

Alerta!

Venenos

Consideremos o caso da Miriam, uma menina de quatro anos que, enquanto a mãe foi à horta, bebeu detergente líquido da embalagem. Pouco tempo depois, a criança começa a gritar e deita-se no chão. Quando a mãe chega, encontra-a pálida e transpirada. Sem perda de tempo conduz a menina ao hospital onde é prontamente socorrida. A Miriam salva-se, mas as dolorosas queimaduras do esófago permanecem durante muito tempo.

Estes acidentes são quase sempre devidos à negligência dos adultos. Por isso, é importante guardar todos os produtos perigosos longe do alcance das crianças. Além disso, no caso de embalagens com produtos tóxicos é muito importante tapá-las de forma que se tornem invioláveis. Um outro erro comum é a utilização de garrafas de refrigerante para o armazenamento de produtos químicos, resultando frequentemente em enganos óbvios.

Prepare uma lista telefónica para utilizar em caso de urgência, com o contacto de médicos, hospitais, bombeiros, farmácias, ?, e fixe-a perto do seu telefone ou em lugar visível para toda a família.

Sufocamentos, quedas e acidentes

A vigilância de crianças com menos de um ano de idade é quase constante e obrigatória, para que se evitem casos de sufocamento com cobertores ou sacos de plástico, ingestão de pequenos objectos ou quedas desnecessárias.

A Guida tinha quatro meses quando caiu da mesa onde a mãe lhe mudava a fralda. A mãe ausentou-se por uns instantes para ir buscar uma fralda e, quando voltou, encontrou o seu bebé inanimado no chão. Quando a ambulância chegou, a Guida contorcia-se com convulsões. No hospital, as radiografias revelaram uma fractura do occipital com afundamento. Foi operada com sucesso, mas a possibilidade de vir a sofrer de epilepsia é quase certa.

Existem, à disposição dos pais, inúmeras protecções para usar em casa, no sentido de a tornarem mais segura para as crianças. Prevenir pode ter custos, mas o resultado final não tem preço.

Estrangulamentos e afogamentos

As crianças com idades entre um e cinco anos são particularmente susceptíveis a acidentes, pela sua curiosidade e inconsciência do perigo. Toda a atenção e precauções devem ser redobradas.

O Norberto tem dez meses e tagarela e corre alegremente pela casa, na sua «aranha». A mãe vai à mercearia mesmo ali ao lado, comprar as batatas de que se esquecera. Quando chega a casa encontra o filho estrangulado no tirante das cortinas.

Pequenas distracções ou breves momentos de desatenção são suficientes para que grandes acidentes aconteçam? A criança que se debruça na borda de uma bacia com água, facilmente se desequilibra ? a sua cabeça é pesada ? e mergulha o rosto, afogando-se. Um bebé que gatinha ou dá os primeiros passos e se desequilibra para dentro de uma piscina desprotegida e que por causa da sua fralda ensopada em água se afunda rapidamente é uma vítima frequente da incúria dos pais.

É necessário exercer uma vigilância constante e pensar nos perigos que podem conduzir a acidentes evitáveis.

Queimaduras

As fontes de calor são um perigo fácil para as crianças. O berço ou a cadeira do bebé nunca devem ser colocados muito perto delas. Recipientes com líquidos a ferver, ou demasiado quentes, a proximidade de lareiras ou velas, podem ser o suficiente para a ocorrência de queimaduras.

A mãe da Patrícia decidiu aquecer a sopa num tacho e sem se aperceber deixou a pega saliente. Inadvertidamente, a sua pequena rabina deu um encontrão no cabo do tacho que caiu sobre ela queimando-a gravemente.

Tal como já foi referido anteriormente, a prevenção é a melhor forma de evitar o acidente. Colocar um tacho ou uma frigideira ao lume, com a pega facilmente acessível a uma criança, a falta de protecção do fogão, o acesso fácil a fósforos ou isqueiros, são situações que não deveriam ocorrer.

Preste ainda atenção aos aparelhos eléctricos. A criança, desde os primeiros passos, sente o desejo de imitar os adultos e, por isso, gosta de passar a ferro ou mexer no fogão. Também as tomadas de corrente e as extensões carregadas de ligações podem constituir um grave perigo para ela. Assim, para evitar que a criança receba através delas uma descarga eléctrica, coloque tomadas de alvéolos protegidos.

A Clarisse tem mais de dois anos e sabe perfeitamente como tirar o melhor partido da sua independência para saltar e explorar o apartamento. Tudo o que encontra à mercê da sua mão possessiva, ela pega e leva à boca. Os pais, negligentes ou distraídos, deixaram no chão uma extensão eléctrica com a ficha macho ligada e a outra extremidade livre. A Clarisse agarrou-a e levou-a à boca como se se tratasse de uma chupeta, queimando-se profundamente na língua e nos lábios. Em consequência foi necessário operá-la para retirar os tecidos queimados e, seguidamente, proceder a uma série de intervenções cirúrgicas, com recurso a enxertos na tentativa de voltar a dar à criança um aspecto normal.

Prevenir

«Preveja tudo o que uma criança pode imaginar e?mesmo aquilo que nunca imaginará!»

A estética não deve prevalecer relativamente à segurança. A segurança deve ser uma garantia dada pelo adulto à criança.

Em Maio de 1988 foi publicada uma directiva da UE (nº 88/378) respeitante à segurança dos brinquedos, que foi transposta para o direito português em 1990. Esta directiva aplica-se a todos os produtos designados como «brinquedos», destinados a crianças e jovens de idade inferior a 14 anos. No entanto, não devemos deixar de analisar que brinquedo estamos a dar e a que criança.

Pedagogia do risco

A partir dos cinco anos, as crianças são vulneráveis a acidentes de trânsito e de afogamento, convindo informá-las sobre os riscos a que estão sujeitas. Para que a formação seja efectiva, é necessário dar bons exemplos do cumprimento de determinadas regras.

Os conselhos certos e o estabelecimento de regras compreensíveis dar-lhe-ão confiança perante o risco, no entanto, é conveniente mostrar-lhe que há elementos exteriores que ela também deverá ter em conta. O estabelecimento de regras de prevenção não elimina os riscos, mas ajuda a conhecê-los. O risco, quando enfrentado com precaução, pode ser a escola da coragem e da acção.

Ordem e simplicidade

Nem sempre é possível escolher o local de eleição para primeira habitação. Muitas pessoas desejariam ter uma vivenda nos arredores da cidade ou no campo, pois sabem que o ar puro, o sossego, o contacto com a natureza, concorrem para o bem da saúde e podem, por sua vez, proporcionar um melhor desenvolvimento da personalidade. Todavia, muitos são os que não podem deixar a cidade. Mas, onde quer que se esteja, é possível criar um ambiente agradável através de uma habitação limpa, alegre e bem arrumada. Se, em sua casa, tudo estiver organizado com gosto, cada coisa no seu devido lugar e nele se respirar uma atmosfera de serenidade, então, muito nervosismo, incidentes e mesmo acidentes serão evitados. Se todos apreciassem o encanto de uma casa limpa e agradável, não somente aí reinaria ordem, mas o mobiliário e a decoração seriam simples e estéticos. Os interiores sofisticados, muito sobrecarregados, podem criar uma atmosfera pesada e de insegurança.

A família é o meio ideal para moldar a personalidade humana. É nesta célula inicial de toda a sociedade que cada um pode desenvolver as suas faculdades e tornar-se feliz. Este meio onde, por excelência, uns podem contar com os outros, deve permanecer num clima de constante harmonia. Este será o fruto de uma gestão adequada do capital familiar, em que a saúde e a segurança são os elementos fundamentais.

A saúde total é, ao mesmo tempo, física, mental e espiritual. Ela é indispensável ao desenvolvimento do homem. Ela depende, acima de tudo, do bom estado do seu corpo, do seu asseio, da sua higiene alimentar e do equilíbrio das suas actividades. Em casa, ela é, antes de mais, uma arte de viver.

Conclusão

A saúde psicológica de um lar é mantida quando se tem em conta três necessidades vitais do ser humano: ser amado, ser protegido, ser valorizado.

É importante ensinar as crianças a assumir responsabilidades proporcionais à sua idade, mantendo-as ocupadas em tarefas como cuidar de um pequeno animal. Também é necessário ensiná-las a cultivar um temperamento dócil e a suportar as inevitáveis contrariedades da vida com uma pequena dose de humor e de filosofia. Deste modo, a moldura e o ambiente do lar oferecerão mais segurança e contribuirão para o desenvolvimento harmonioso de cada membro da família.