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Através de uma aprendizagem global, desde os fundamentos do funcionamento do corpo humano à importância dos relacionamentos na construção da personalidade, passando pelos bons hábitos, visa permitir-lhe assumir o controlo sobre a sua saúde e bem estar.

Lições

O que pensar das dores de cabeça

Introdução

A maior parte das pessoas queixa-se mais de dores de cabeça do que de qualquer outro mal. Estas perturbações manifestavam-se já nos nossos antepassados. Foram encontradas, pelos arqueólogos, tabuinhas de argila com mais de três mil anos, sobre as quais um poeta sumeriano tinha descrito, em escrita cuneiforme, as suas terríveis dores de cabeça!

Alguns crânios, descobertos em túmulos no Peru e na Bolívia, conservavam a marca evidente de intervenções cirúrgicas efectuadas, pensa-se, para suprimir uma certa pressão no cérebro. Ignoramos se essas intervenções tiveram êxito! No século XV, Catarina de Médicis sofria de horríveis enxaquecas e Maria Tudor, em Inglaterra, ?sofreu o martírio? durante toda a cerimónia da sua coroação! Hoje, tomamos alguns comprimidos ou tentamos viver com este mal até que ele se lembre de nos deixar, mas continua a ser um problema da nossa sociedade.

No entanto, uma dor de cabeça não é uma doença. Alguns neurologistas pensam mesmo que ela é útil porque constitui um sinal de alarme. Ela nem sempre é sintoma de uma doença orgânica ou psicossomática, mas pode ser também a consequência do ambiente em que vivemos ou das nossas emoções. Pode manifestar-se com frequência e, assim, continuar enquanto a sua causa não for descoberta.

A origem das cefaleias (dores de cabeça)

Algumas dores de cabeça têm origem nas membranas que envolvem o cérebro (meninges), ou em outras partes do corpo e seus receptores sensitivos. O cérebro propriamente dito é insensível, pois não tem receptores específicos para a dor.

Em contrapartida, os vasos sanguíneos que cobrem a caixa craniana estão providos deles e é de lá, por vezes, que vêm as cefaleias. Estas também podem ser provocadas pela tensão dos músculos do pescoço, da face ou do couro cabeludo.

a) As perturbações da visão

Uma fadiga ocular excessiva, por vezes devida a uma má iluminação (penumbra, contraluz, reverberação, ofuscação) pode provocar dores de cabeça. Nestas circunstâncias, poderá remediar-se este mal melhorando a qualidade da luz e tendo o cuidado de fazer pausas. Os olhos também podem cansar-se por razões internas: cansaço ou fragilidade muscular e/ou dificuldade de adaptação da visão, como o astigmatismo. Por exemplo, a criança que sofre de miopia, hipermetropia, estrabismo convergente ou divergente, etc., invariavelmente, para ver melhor, é obrigada a manter a cabeça numa má posição. Os seus olhos deixam, então, de fazer o esforço de acomodação necessário para uma visão normal e a cefaleia pode, então, ser presente. Em todos os casos, é aconselhável consultar um oftalmologista.

b) As afecções dos seios da face

Os seios da face têm um papel importante na defesa do organismo. Quando contraímos uma infecção bacteriana ou viral, como a constipação ou a gripe, são os seios da face e fronte que, geralmente, são afectados. À inflamação que se segue, uma das consequências é a cefaleia, que se agrava com os movimentos da cabeça. A consulta a um médico é fundamental.

Podem também produzir-se reacções alérgicas nos seios da face. Por exemplo, quando as mucosas do nariz e da orofaringe são irritadas por substâncias inaladas, tais como: poeiras, pólenes, pêlos, penas, cosméticos, tabaco, fumo, gás, etc., segregam uma grande quantidade de muco para eliminar estes corpos estranhos. A situação pode agravar-se pela inflamação e posterior obstrução dos orifícios das cavidades dos seios. Por causa dessa obstrução e do aumento da pressão interna, o aparecimento de uma cefaleia, especialmente de manhã, é o mais frequente sinal de alerta de que algo está errado. Experimentar-se-á então, um certo alívio depois da pessoa se ter levantado, o que confirma as suspeitas. Em todos os casos de alergia é importante identificar a causa da mesma.

c) A hipertensão arterial

As pessoas que têm a tensão arterial demasiado elevada podem sofrer de cefaleias. Na realidade, este é um dos primeiros indícios de hipertensão arterial, um quadro patológico sério que necessita de uma pronta e continuada intervenção. Pode-se sentir primeiramente uma dor bastante forte na base do pescoço, que atinge de seguida o alto da cabeça e a fronte. Outros sentem a dor como se tivessem a cabeça apertada, podendo os vómitos surgir com alguma frequência, associados à cefaleia.

Ainda que tensão excessiva esteja muitas vezes na origem destes males, pensa-se, sem fundamento, que basta eliminar a tensão para suprimir as dores de cabeça. Ainda que possa haver uma componente hereditária, a hipertensão pode ser apenas uma patologia a mais ? neste caso o ?sintoma? que chama a atenção ? e que surge associada a um ou outros problemas, como diabetes, obesidade, colesterol elevado, isquémia do miocárdio, etc..

Este mal do século, provocado geralmente pelo modo de vida que se leva, necessita de uma grande vigilância.

d) Stresse

Se formos demasiado ambiciosos, arriscamo-nos a abusar das nossas forças e, daí, a levar ao fracasso os nossos próprios projectos. Ora, o facto de falhar marca profundamente o psiquismo e pode provocar o desencorajamento e a frustração. Estes estados podem, por sua vez, submeter-nos a uma tensão permanente e daí o aparecimento das cefaleias. Basta então, por vezes, afastar de nós tudo o que provoca preocupações em demasia, para sentirmos alívio. É claro que, quando se trata de uma doença, ou da morte de um ente querido, de um despedimento ou de conflitos familiares, não podemos evitar estes ataques. Procuremos, no entanto, o que há de positivo nestas situações, por mais difíceis que sejam.

e) A fome

Curiosamente, a fome pode provocar dores de cabeça. Talvez nos lembremos de determinadas ocasiões, quando éramos crianças, em que, ao chegarmos da escola, ?morríamos de fome?. Precipitávamo-nos, então, para a cozinha a gritar: ?Mamã, dói-me a cabeça de tanta fome!?

Quando ficamos demasiado tempo sem comer, o teor de açúcar (glicose) no sangue baixa (hipoglicémia) e pode provocar cefaleias. Uma reacção vulgar é a de consumir algo açucarado, o que na realidade é um erro. A prevenção é simples: consumir mais alimentos, com um teor equilibrado de hidratos de carbono lentos e proteínas, na medida em que estes se transformam lenta e gradualmente em glicose, mantendo o nível desta estável no sangue durante mais tempo, do que com o consumo apenas de produtos açucarados. Uma dor de cabeça pode aparecer, também, depois de uma perturbação do regime alimentar. Se comermos muitos alimentos açucarados ou guloseimas, dar-se-á uma elevação súbita do nível de açúcar no sangue (hiperglicémia) que condicionará uma libertação de insulina consonante. O resultado será o de se seguir uma queda tão rápida do açúcar que fará o equilíbrio do mesmo ir de um extremo para outro. O organismo tenta assim restabelecer o equilíbrio, compensando a perturbação até que o nível normal seja restabelecido. Num indivíduo obeso, este aspecto é ainda mais crítico, conhecida que é a resistência à insulina neste grupo de pessoas e ao uso da mesma no aproveitamento e eliminação do excesso do açúcar. Para todos os efeitos, estas variações podem condicionar o aparecimento de cefaleias.

f) Alergias alimentares

Tudo o que entrave o processo de digestão pode provocar dores de cabeça. Para as evitar, é preciso escolher um ritmo regular de refeições e arranjar períodos de repouso para os órgãos digestivos. É evidente que alguns alimentos desencadeiam uma espécie de reacção alérgica, provocando, em certos casos, dor de cabeça. Entre os mais frequentemente ingeridos, citamos o chocolate, os ovos, as nozes, os enchidos, os mariscos, etc.. Para descobrir o alimento responsável pelas nossas indisposições, podemos tentar abster-nos de um, depois de outro, até que o culpado seja desmascarado. Alguns testes laboratoriais ou do foro da alergia, ajudam a esclarecer a situação de uma forma mais correcta.

g) Os estimulantes

O álcool é uma droga poderosa, cujos efeitos se fazem sentir em todo o organismo. O sistema nervoso central é por ele afectado, invariavelmente. Alguns vasos sanguíneos da cabeça dilatam-se, provocando manchas vermelhas no rosto, couro cabeludo e pescoço. Se houver um processo inflamatório vascular, a simples ingestão do álcool é suficiente para desencadear fortes cefaleias. É sobretudo nos dias a seguir aos banquetes ou beberetes que as dores de cabeça são particularmente acentuadas. Elas aparecem seja qual for a espécie de álcool ingerido: cerveja, vinho, licor, cidra, whisky, shot, vodka, etc..

Ainda neste caso, a dor de cabeça funciona como advertência. Um grande consumidor de café pode sentir, no fim do dia, uma violenta dor de cabeça, mesmo que a sua última chávena tenha sido bebida várias horas antes. A reacção a nível dos vasos sanguíneos cerebrais é semelhante à dos consumidores de álcool. O café contém um alcalóide chamado cafeína, que se encontra igualmente em proporção importante nas bebidas à base de coca. Se deixar de repente de beber café, continuará certamente ainda a ter cefaleias, mas será necessário perseverar, fazendo uma cura de água pura e de frutos, durante um ou dois dias. Estes problemas desaparecerão por eles mesmos, graças a esta desintoxicação.

As enxaquecas

Muito conhecida e comum, a enxaqueca é uma dor de cabeça bem definida que significa, literalmente, dor de um lado da cabeça. Segundo trabalhos efectuados na Universidade de Medicina de Loma Linda, Califórnia (Estados Unidos), são sobretudo as mulheres que mais sofrem de enxaquecas (80% dos casos). Nas crianças são principalmente os rapazes os mais atingidos.

a) Os sintomas

Aquele que sofre de enxaqueca pode sentir espasmos dolorosos nos músculos do pescoço e na parte superior das costas. A dor começa geralmente de um lado, ou bem atrás do olho, ou ainda nas têmporas e pode estender-se para outras regiões.

Nesta primeira fase, os vasos sanguíneos que irrigam uma parte do cérebro contraem-se. Podem surgir no campo visual pequenos pontos negros ou cintilações. Estes sintomas indicam que o problema está nos vasos que se localizam na zona do lobo occipital (parte de trás do cérebro). Estas perturbações são temporárias. Um lado do campo visual pode desaparecer durante alguns segundos e esta perturbação pode, por vezes, durar uma hora ou mesmo mais. Estes acessos de enxaqueca podem ser acompanhados de enfraquecimento muscular de um lado do corpo, de entorpecimento de um lado do rosto, de um braço ou de uma mão. Se os problemas visuais subsistirem, a dor de cabeça torna-se mais intensa, porque assiste-se à dilatação e inflamação dos vasos que irrigam o couro cabeludo e a base do cérebro, com a consequente compressão das estruturas nervosas adjacentes. Alguns sentem náuseas, dores de estômago e têm vómitos quando as crises vasculares atingem o nervo vago. Estas queixas, conhecidas como ?auras?, anunciam muitas vezes a enxaqueca.

As enxaquecas não são sentidas da mesma maneira por todos. Alguns sofrem somente de um lado da cabeça, outros têm também indisposições digestivas.

As vertigens, os tremores, a secura da boca aparecem em momentos diferentes. Podem também formar-se edemas nos tornozelos por retenção líquida, que desaparecem após a resolução da cefaleia. Os pacientes não sentem normalmente todos estes sintomas e em muitos casos há intervalos de longa duração, entre as crises.

b) As possíveis causas

Tentemos encontrar a verdadeira causa do mal e determinar quais são as pessoas com tendência para as enxaquecas e porquê.

As pessoas que sofrem de enxaquecas são, sobretudo, pessoas perfeccionistas, de trato fino, mesmo elegante, perseguindo com diligência as suas numerosas actividades e esforçando-se por levar a cabo todos os seus projectos. São por vezes tentadas a excederem-se em trabalho e esforços. A maioria dessas pessoas é ambiciosa e com um ideal muito elevado. Com frequência é tentada a esgotar-se.

Esta atitude esconde, muitas vezes, uma falta de afeição e de amor de que podem ter sido vítimas na infância. Logo, procuram compensar isso fazendo coisas, de certo modo excepcionais, para chamarem a atenção.

Em algumas pessoas, a enxaqueca é a consequência da uma alimentação demasiado rica em gorduras e alguns temperos mais agressivos. Em alguns pacientes, patologias das vértebras cervicais (no pescoço), ou alterações do equilíbrio emocional, podem ser responsabilizadas pelo aparecimento de enxaquecas em pessoas predispostas.

As cefaleias infantis

É importante que os pais tenham alguns conhecimentos da fisiopatologia da dor, a fim de descobrirem qual pode ser a causa da cefaleia do seu filho. É necessário distinguir entre as dores de cabeça habituais e as que surgem subitamente e de grande intensidade.

a) A dor de cabeça persistente tem de ser necessariamente sintoma de uma doença. É preciso, então, estar atento à possível presença de outros sintomas, dificuldade em respirar, engolir, visão duplicada dos objectos, rigidez da nuca, estado comatoso, delírio ou paralisia. Se um ou outro, ou vários, destes sintomas se manifestarem, é necessário consultar um médico com urgência.

b) Se se tratar de dores de cabeça habituais, mas de intensidade moderada e descontínua, será necessário, em primeiro lugar, eliminar a causa orgânica simples: a maior parte das vezes, na criança, os defeitos de visão (miopia, hipermetropia, astigmatismo) estão na origem das cefaleias, cuja intensidade atinge o ponto máximo durante o período escolar ou no fim de uma sessão prolongada de televisão ou de jogos de computador. Nas crianças mais velhas, deve pensar-se nas sinusites, depois de uma constipação por exemplo. Será necessário, igualmente, combater as perturbações digestivas crónicas e, sobretudo, a prisão de ventre.

c) A dor de cabeça pode igualmente ter uma causa psicogénica. A criança aproveita então esta desculpa para escapar às suas obrigações escolares. Importa desconfiar particularmente no início da semana, depois de terem passado o fim-de-semana em casa e sem queixas. Estes problemas podem revelar dificuldades no seu relacionamento com um professor. As crianças descobrem por vezes que este é um bom método para chamarem a atenção. Os pais devem, portanto, perceber, que um problema psicológico sério na criança e no adolescente é muitas vezes a origem das cefaleias.

Terapêutica preventiva

a) Não exijamos demasiado de nós mesmos, nem dos outros. Uma pessoa ambiciosa em excesso pode prejudicar a sua vida e a daqueles com quem convive. Façamos planos para uma semana e não nos deixemos atormentar excessivamente se as coisas não correrem sempre de feição. Existem imponderáveis na vida aos quais não se pode escapar. Se conservarmos a calma, evitaremos a tensão nervosa que pode provocar dores de cabeça.

b) Dormir o suficiente durante a noite é muito importante. Uma curta sesta durante o dia, quando for possível, relaxará o sistema nervoso. O repouso pode efectivamente fazer desaparecer a tensão e a dor de cabeça. Alguns médicos pensam que este é, ao mesmo tempo, a melhor prevenção e o alívio mais eficaz. Entretanto, nada de sestas imediatamente a seguir às refeições!

c) Evitemos as substâncias às quais somos alérgicos.

d) Não alimentemos o hábito de tomar medicamentos! Limitemo-nos aos que foram receitados pelo nosso médico. Os produtos químicos, qualquer que seja a sua composição, causam, na maior parte das vezes, mais dano do que alívio. Os medicamentos de venda livre como os anti-inflamatórios e os analgésicos, não devem ser tomados regularmente sem conselho médico.

e) O exercício diário, como a marcha ou a bicicleta, acalma a tensão nervosa, a enxaqueca e as dores de cabeça, porque força a ginástica respiratória e a melhor oxigenação dos tecidos.

f) Evitemos o café, o chá, o tabaco e o álcool, que provocam perturbações bem mais graves do que as dores de cabeça, assim como as refeições copiosas e demasiado ricas, ou demasiados doces e os pequenos-almoços a correr e ?simbólicos?.

Remédios

Os tratamentos naturais a seguir indicados são susceptíveis de proporcionar algum alívio em caso de cefaleia:

a) Banhe com água quente os pés ou os braços durante cerca de vinte minutos, logo que a cefaleia se manifeste. Este banho pode baixar a tensão cerebral (contra indicações: má circulação, varizes);

b) Ponha uma compressa fria com cubos de gelo sobre a nuca; para isso, utilize uma toalha turca molhada, previamente espremida (contra indicações: artrose cervical);

c) A marcha ao ar livre, sobretudo de manhã, é muito benéfica;

d) Cada um deverá escolher o método que mais lhe convenha.