Saúde 4 Saúde

Através de uma aprendizagem global, desde os fundamentos do funcionamento do corpo humano à importância dos relacionamentos na construção da personalidade, passando pelos bons hábitos, visa permitir-lhe assumir o controlo sobre a sua saúde e bem estar.

Lições

O álcool e o tabaco

Os hábitos que evocam estas duas palavras têm uma tal influência sobre o comportamento e o bem-estar das populações do nosso país que achámos por bem consagrar-lhes uma lição.

«Está? Quem fala?» Ouvi uma sucessão de palavras entrecortadas, quase ininteligíveis, e acabei por compreender que era o meu velho amigo Bernardo, que, completamente desesperado, me pedia socorro. Antes de começar a soluçar, conseguiu dizer-me: «Já não sirvo para nada! Tiago, ajuda-me, por favor! Ajuda-me!»

Dirigi-me imediatamente ao hotel onde ele se encontrava. Pelo caminho, enquanto conduzia, pensava neste amigo que tinha visto pela última vez há um ano e meio. Na viagem que fez à cidade onde eu morava, o Bernardo visitou-me no meu escritório. Parecia-me estar-lhe assegurado um êxito pleno. Eu conhecera-o na escola e já nessa altura pressentíamos a sua brilhante carreira universitária. Entrou para a Universidade e a seguir fez doutoramento. No entanto, em vez de encontrar um homem feliz e satisfeito, tinha, diante de mim, alguém totalmente destroçado. O Bernardo contou-me o que lhe tinha acontecido. Era um homem de negócios, exercia a sua actividade numa importante companhia petrolífera, viajava muito. Mesmo ao serviço do governo realizara várias missões, mas, uma sucessão de acontecimentos imprevisíveis levaram-no a beber, primeiro moderadamente, depois em maior quantidade. Passado pouco tempo, já não se contentava em beber só com os amigos. Necessitava de beber sozinho e cada vez mais. Apesar do seu êxito profissional, este deplorável vício levou-o a perder o seu lugar na empresa. A princípio a esposa suportou com firmeza esta situação encorajando-o a deixar a bebida, mas agora também ela se sentia desesperada e incapaz de reagir. Era-me difícil acreditar que esta desgraça tinha começado apenas com um copo de vinho.

I ? ALCOOLISMO

Em certos países de Europa, abusa-se mais das bebidas alcoólicas do que de qualquer outra droga. Trata-se de um flagelo contra o qual os poderes públicos não têm lutado suficientemente. Em Portugal, particularmente quando se vê o efeito da imposição do teste de alcoolémia em determinadas situações, conclui-se que poderiam ser empreendidas acções mais eficazes.

O rosto do alcoolismo modificou-se ligeiramente nestes últimos anos. Outrora, consumiam-se bebidas alcoólicas sobretudo nas tabernas e nos bares e aqueles que aí se embriagavam não passavam despercebidos. Hoje desenvolveu-se, de forma considerável, um alcoolismo menos espectacular mas muito mais perigoso. Bebe-se em casa, à volta do bar familiar, hábito ainda mais nocivo porque atinge todos os membros da família, inclusivamente as crianças.

Alguns números

Os dados estatísticos da Organização Mundial de Saúde referem que em Portugal o consumo de álcool puro, per capita, é superior a 15 litros por ano, valor apenas ultrapassado pela França, que regista 16,4 litros. Os dez primeiros lugares das tabelas de consumo de álcool são completados pelo Luxemburgo com 14,4 litros por pessoa; a Alemanha com 12,4 litros; a Suíça com 10,4 litros; a Bélgica com 10,2 litros; o Canadá com 9 litros; os Estados Unidos com 8,3 litros; a Finlândia com 7,1 litros; o Reino Unido com 7 litros.

Em Portugal, o alcoolismo crónico atinge 10% da população, sendo a terceira causa de mortalidade, depois das doenças cardiovasculares e do cancro. Cada ano, morrem cerca de 3000 portugueses por cirrose alcoólica. No entanto, a percentagem de alcoolismo acima referida traduz uma realidade muito mais grave: antes de ser reconhecido como alcoólico, um indivíduo intoxica-se progressivamente durante meses, até mesmo anos. O alcoolismo tem raízes tão profundas que é difícil extirpá-las, sobretudo quando os media relevam todas as notícias que promovem o consumo do vinho, o tinto em especial. Basta constar que o vinho, por exemplo, pode ser benéfico para algo, para de imediato passar a ser uma verdade, sem se discutir se o mesmo efeito não seria obtido pelo consumo do sumo de uva sem álcool, por exemplo. Convém não esquecer que poderosos defensores do consumo de álcool se dispõem a investir avultadas somas através dos meios de comunicação social para a transmissão de ideias erróneas a seu respeito.

Qual a procedência do álcool?

O álcool, nas bebidas alcoólicas, provém da fermentação de frutos ou de sementes no decorrer da qual o açúcar natural sofre uma transformação. A destilação da bebida, assim obtida, permite um enriquecimento em álcool da mesma e um maior empobrecimento nos outros componentes. Anualmente, em Portugal, muitos milhões de quilos de açúcar natural, proveniente de frutos, são transformados num produto tóxico, que é também uma droga, o álcool etílico ou etanol. Trata-se de um anestésico e dum estupefaciente.

Actualmente, a OMS e fisiologistas conhecidos, como Claude Bernard, chamam a nossa atenção para o facto do álcool ser uma das drogas mais perigosas ao nosso dispor.

O grau alcoólico duma bebida fermentada, como o vinho; destilada, como a aguardente, ou alcoolizada (com adição de álcool) como os aperitivos, é definido pela percentagem de álcool contido na bebida. Por exemplo, um vinho de 11º contém 11 decilitros de álcool puro por litro.

Em que se transforma o álcool no nosso organismo?

Quando o álcool é ingerido, passa do tubo digestivo para o sangue, sem sofrer qualquer transformação. Desta forma, o álcool entra em contacto com todos os tecidos do organismo, através da circulação sanguínea, particularmente com o cérebro, onde a rede de capilares é muito densa. A eliminação, ou oxidação, do álcool é muito demorada e variável de indivíduo para indivíduo. Num adulto de oitenta quilos, qualquer que seja a sua actividade, o fígado precisa de vinte e quatro horas para transformar o álcool contido num litro de vinho de 11º.

O teste de alcoolémia serve para avaliar a quantidade de álcool no sangue, isto é, a taxa de alcoolémia que, por sua vez, depende de numerosos factores. Um indivíduo que tenha consumido bebidas alcoólicas ao longo do dia mantém uma taxa de impregnação alcoólica constante e elevada.

Geralmente, com até 0,5 gramas de álcool por litro de sangue não são evidentes manifestações do efeito do álcool no organismo. Entre 0,5 e 1 grama considera-se que o indivíduo se encontra na zona de alarme, e de 1 a 2 gramas, considera-se que entrou na zona tóxica e perigosa. Para além de 2 gramas, considera-se atingido o estado de embriaguez e, acima de 3 gramas, quem ingeriu poderá ser um ébrio morto.

Todavia, e tendo em conta que a adaptação ao álcool é bastante variável de pessoa para pessoa, é possível que a acumulação de pequenos copos, bebidos consecutivamente, possa manter uma taxa de impregnação alcoólica importante sem se atingir o estado de embriaguez. Apesar de aparentemente semelhantes, o estado de embriaguez e a impregnação alcoólica não devem ser confundidos, já que o primeiro reflecte uma situação excepcional e o segundo é uma situação preocupante que caracteriza o alcoólico.

Acção do álcool sobre o corpo humano

O sistema digestivo e o cérebro são os mais duramente atingidos pelo álcool, mas o sistema nervoso é o primeiro a suportar os seus danos, já que as células nervosas se impregnam rapidamente de álcool, qualquer que seja a quantidade absorvida.

Assim, e não descurando a correcta distinção entre o alcoólico que depende física e psiquicamente da sua dose diária de álcool, do consumidor ocasional, que não apresenta qualquer dificuldade em deixar de beber, a verdade é que, até uma pequena dose de álcool, ingerida de forma regular e controlada, prejudica o bom funcionamento das células cerebrais.

Os trabalhos do professor Melvin H. Knisely provaram que uma alcoolémia de 0,25 gramas por litro de sangue, equivalente à ingestão dum único copo de uma qualquer bebida alcoólica, provoca uma aglutinação de glóbulos vermelhos que afrouxa e perturba a circulação sanguínea nos vasos capilares. Este facto, observável ao microscópio na camada branca do olho, quando analisado mais rigorosamente ao nível do cérebro, revela danos irreparáveis nas suas células. Células estas que, uma vez destruídas, jamais poderão ser recuperadas, pelo simples facto de não serem irrigadas pelo sangue.

Actualmente, graças à pneumoencefalografia, é possível radiografar-se o cérebro e verificar os estragos provocados pelo álcool: atrofia das circunvoluções cerebrais, aumento das cavidades do cérebro, tendência acentuada para edema e hemorragia. Assim, é fácil compreender que uma simples comoção cerebral, consequência de uma lesão cerebral, seja mais facilmente ultrapassada num abstémio do que num indivíduo com hábitos alcoólicos.

Ainda em consequência dos efeitos do álcool nas células cerebrais, tanto os mecanismos psicossensoriais ( campo visual, tempo de reacção, vigilância, coordenação) como os comportamentos (afectividade, agressividade) são afectados, sendo responsáveis pelo aumento do número de acidentes de viação. Além disso, o consumo de álcool é responsável pelo agravamento do número de casos de polineurites, delirium tremens, gastrites, tumores malignos, cirroses, afecções das vias respiratórias, bem como do desenvolvimento de doenças cardiovasculares e tumores. De facto, graças a inúmeros estudos clínicos recentes, sabe-se que as longas fibras musculares do coração perdem a sua eficácia no movimento de contracção, durante várias horas, após a ingestão de bebidas alcoólicas.

Por que motivos se bebe?

Os motivos que levam um indivíduo ao consumo de bebidas alcoólicas são inúmeros: a euforia e a desinibição, desejada pelos que procuram prazeres e aventuras, muitas vezes clandestinas, e que por natureza são introvertidos ou comprometidos com valores cuja consciência os incomoda, conseguem sobre o efeito do álcool, ir longe nas suas aspirações. A ?anestesia? do consciente é-lhes útil, tal como o atenuar de sensações incómodas ou dolorosas ou a fuga a situações difíceis da vida, provocadas pela perda de lucidez; a força dos preconceitos e as imposições da sociedade moderna, provocadas pela necessidade de integração num grupo, condicionam os comportamentos dos que tem dificuldade em separar a reputação da consciência.

Outros motivos prendem-se, ainda, com a falsa ideia de que as bebidas alcoólicas, sobretudo o vinho, são alimentos indispensáveis que aquecem, dão força e saúde. Na realidade, estudos científicos exaustivos mostraram que o álcool é um antialimento, que provoca desperdício de calor e desvia recursos importantes para a sua destruição pelo organismo.

É verdade que o álcool pode provocar uma aparente sensação de calor, o que não quer dizer que tenha a capacidade de aquecer o organismo. O álcool tem a propriedade de dilatar os capilares da periferia do corpo. Por sua vez, o sangue quente vindo da parte interior do corpo, aflui à superfície da pele e, no momento, dá a impressão de que a temperatura geral se elevou. No entanto, este fenómeno priva os órgãos essenciais, particularmente o fígado, das suas reservas vitais de calor sanguíneo, conduzindo a um outro fenómeno físico de perda de temperatura, por convecção, sem reposição da mesma. É esta a razão que explica porque, um alpinista sujeito a um frio rigoroso e que beba, corre o risco de morte repentina.

No fundo, o álcool é um ladrão que retira sangue quente aos órgãos, indispensável à manutenção da vida.

A água é a única bebida essencial à fisiologia do corpo humano.

O que se deve fazer para travar este flagelo?

A produção de bebidas alcoólicas em quantidade excessiva, a publicidade a favor do álcool que, apesar de ser agora um pouco mais discreta, não se tornou menos frequente, o preço excessivo das bebidas não alcoolizadas, são alguns dos factores que permitem o agravamento do problema do alcoolismo. Todavia, numerosas associações estão a fazer esforços para prevenir e reparar os prejuízos causados pelo álcool. Também os governos planeiam e promovem, já há vários anos, campanhas, embora moderadas, no sentido de aconselhar moderação no consumo de álcool. No entanto, muito está ainda por fazer para minimizar este flagelo.

II ? O TABACO

Introdução

Apesar do consumo de tabaco em Portugal não ser significativo face a outros países do mundo, a verdade é que, anualmente, se consomem mais de 12 mil toneladas de tabaco no nosso País, ou seja, cerca de 3,3 toneladas por dia. Por isso, devido a doenças provocadas pelo tabaco, morrem anualmente no nosso país mais de 5500 pessoas. Este número aumenta para cerca de um milhão quando são analisados todos os países europeus, prevendo-se que, até 2015, o tabagismo possa ser responsável por um total de 500 milhões de óbitos. Esta previsão foi feita por dois especialistas da Organização Mundial de Saúde, o estatístico Alan López e o epidemiologista Richard Peto. Peto, afirmou:

«Actualmente registam-se cerca de 8 mil mortes por dia, no mundo, por causa do hábito de fumar, e calcula-se que quando os jovens de hoje atingirem a meia-idade, haverá 28 mil mortes por dia por causa do tabaco». Ele acrescentou que, se as tendências actuais se mantiverem, até ao ano 2015 terão morrido, por causa do fumo do tabaco, 200 milhões de pessoas abaixo dos 20 anos e 300 milhões a partir dessa idade. Um número assustador que deveria provocar reacções no sentido da prevenção do tabagismo.

História e consumo

As primeiras referências ao tabaco são atribuídas ás civilizações pré-colombianas, tendo chegado à Europa em meados do século XV. Inicialmente, o tabaco era mascado, depois passou a ser inalado (rapé) e só finalmente passou a ser fumado. Entretanto, com o progresso industrial e o início do fabrico dos cigarros em série, mais baratos, fáceis de usar e com uma apresentação mais agradável, a sua produção e consequente consumo aumentaram exponencialmente. A publicidade encarregou-se da sua integração nos hábitos sociais, agravando ainda mais o seu consumo. Muito rapidamente, 50 a 70 % dos europeus tornaram-se fumadores e conduziram aos quatro mil milhões de cigarros fumados anualmente, na Europa. Ou seja, se esta quantidade de cigarros fosse alinhada, o «comboio» de cigarros resultante atingiria trezentos e setenta milhões de quilómetros!

Por que motivo se fuma?

O cigarro tornou-se um simbolo do homem moderno, penetrando até ao subconsciente da nossa sociedade, como um paradigma da modernidade. Fumar significa integração num grupo, representa a partilha de um hábito e surge, frequentemente, pela necessidade de imitação de indivíduos. Fuma-se também para se ser estimulado, pois como acontece com qualquer outra droga, o efeito do tabaco desenvolve-se em duas fases:

  1. O prazer. O cigarro é, antes de mais, procurado como um complemento elegante de personalidade, uma droga inocente e consentida, que convém a muitos que procuram modelar a sua personalidade á de figuras públicas de sucesso, quer pelo lado positivo, quer pelo lado negativo.
  2. A dependência. Muito rapidamente, o prazer dá lugar à dependência. Fuma-se porque já não se pode passar sem o tabaco. Fica-se prisioneiro da sua droga.

Três razões importantes parecem estar na origem da globalização do tabagismo:

  1. A ignorância. Durante muito tempo, os perigos deste hábito foram desconhecidos tendo-se mesmo atribuído ao tabaco virtudes medicinais.
  2. As vantagens do lucro. Como Richelieu e Napoleão já tinham compreendido, se se pode tornar uma nação dependente de um produto, a exploração deste tornar-se-á uma fonte inesgotável de rendimento. Isto acontece com o tabaco e é a razão pela qual, mesmo nos nossos dias, a sua influência nefasta não foi considerada com a devida seriedade em muitos países.
  3. O êxodo ininterrupto. A constante deslocação das pessoas para as cidades, tornou-as mais frágeis e susceptíveis a inúmeras influências, como é exemplo a susceptibilidade para a distribuição e consumo das drogas.

Os perigos

Toxicologia

A presença, num único mililitro de fumo de tabaco, de quase um milhar de gases venenosos diferentes e de várias partículas agressivas, faz deste fumo o mais poluído de todos, sendo o cenário particularmente grave quando se sabe que ele é aspirado directamente para os brônquios.

Existem, no fumo do tabaco, quatro espécies de produtos perigosos, no entanto, já foram identificadas cerca de 4500 substâncias nocivas, particularmente quando sujeitas a combustão:

  1. Gases, especialmente o monóxido de carbono: um veneno que impede a fixação de oxigénio nos glóbulos vermelhos;
  2. Substâncias irritantes, como a acroleína, que provocam a inibição de certas funções ciliares;
  3. Nicotina, o principal alcalóide do tabaco, veneno mortal, responsável pela dependência;
  4. Alcatrões, como os nitroaminados ou o benzopireno, que é altamente cancerígeno.

Patologia

O consumo de tabaco provoca inúmeros malefícios para a saúde, ao nível das vias respiratórias (cancros do pulmão, da faringe, da boca, enfisema, bronquite), do coração (enfartes, ateromatose, arterites, hemiplegias), do sangue (oxigenação deficiente, pressão arterial elevada, adesividade mais acentuada das plaquetas), a vitamina C (é neutralizada), do aparelho digestivo (irritação das mucosas, úlceras, cancros), do aparelho excretor e urogenital (distúrbios da bexiga, cancros, diminuição da filtragem dos rins e anomalias da pele, perturbações sexuais), do cérebro (diminuição da memória, da vontade), dos sentidos (diminuição do paladar, do olfacto, da visão), do sistema nervoso (excitação, desequilíbrio), das funções parassimpáticas, do aparelho reprodutor (particularmente, na acção sobre o feto).

Em conclusão, tal como refere a Comissão de Peritos da OMS, não há prevenção mais necessária do que a do tabagismo, para a diminuição do sofrimento e o aumento da esperança de vida de toda a população. O tabaco é, sem dúvida, a droga que, evitada, mais doenças previne em todo o mundo.

Acidentes

O cigarro tem inúmeras incidências negativas na sociedade. Em primeiro lugar, aliena o ser humano provocando-lhe sentimentos de escravatura e de derrota. Além disso, polui o meio ambiente e ataca a saúde dos não fumadores, nomeadamente a de crianças que crescem em lares impregnados de fumo.

Por outro lado, o custo dos tratamentos das doenças imputáveis ao tabaco é duas a três vezes mais elevado do que as receitas do imposto sobre o tabaco. Finalmente, o tabaco é responsável por um grande número de acidentes de viação, de trabalho, de catástrofes (incêndios em fábricas e florestas), cujos prejuízos são incalculáveis.

A armadilha

O tabaco é uma armadilha que alguns evitam, mas na qual muitos caem. O primeiro cigarro provoca algum enjoo e indisposição mas, supõe-se irreflectidamente que pode não ser perigoso, insistindo-se um pouco mais. Depressa o hábito apela ao prazer e este conduz, de um dia para o outro, à escravidão. Em vez de reconhecer e enfrentar as dificuldades na eliminação do hábito, o fumador convence-se e convence outros, com argumentos que alimentam o seu desejo. Na verdade, o fumador inveterado fuma, não tanto por prazer, mas para escapar ao sofrimento da falta da sua droga. A sua intoxicação consciente não é mais do que um atentado à sua saúde física e mental, um exemplo desolador de fraqueza de carácter, que aliena gradualmente a sua liberdade de acção, de iniciativa e de julgamento.

Deixar de fumar

Segundo Alexandre Dumas: «O tabaco é como o álcool, o mais terrível adversário da inteligência».

Em 1809, o químico Vauquelin conseguiu isolar a nicotina e, depois dele, o famoso cientista Claude Bernard pôs em evidência os perigos do tabaco.

Actualmente, a medicina moderna fornece novas provas científicas que reforçam a afirmação do professor Lengre, «o tabaco é um flagelo mais temível do que as grandes epidemias da Idade Média».

Deixar de fumar não é apenas ter acesso a uma vida mais longa e mais agradável, é também um imperativo social e moral. Neste sentido, a Secretaria de Estado do Ambiente tem conduzido várias campanhas de sensibilização anti-tabaco, a fim de chamar a atenção dos fumadores para os perigos a que se expõem, bem como alertar os jovens para os malefícios do tabaco. Estas campanhas têm sido reforçadas por uma série de leis que visam evitar que os cidadãos deste país sejam agredidos com a insidiosa publicidade sobre o tabaco e também proteger os não fumadores.

A delegação portuguesa da Associação Internacional de Temperança adoptou um método de comprovada eficácia, baseado na psicoterapia de grupo, chamado Plano de Cinco Dias, agora com uma nova versão designada Plano de Oito Dias, baseado na motivação e na dietética. Este método foi posto em prática pela primeira vez em 1954 por especialistas da Universidade de Loma Linda (Estados Unidos). As campanhas que se seguiram obtiveram grande sucesso e libertaram dezenas de milhares de grandes fumadores.

Conclusão

Concluiremos citando o Dr. J. Poncel, de Marselha (França): «Esta mesma necessidade de excitação, de reabilitação do tónus, estimula a associação do álcool com o tabaco. É uma associação de malfeitores que se completam fisiologicamente. O tabaco produz vasoconstrição e o álcool vasodilatação. Aquele que experimenta os sintomas de um deles, procura compensá-los. Os lugares onde se bebe são também aqueles onde se fuma. Os dois produtos combinam os seus efeitos , potenciando-se. São os oftalmologistas e os neurologistas quem mais tem observado os efeitos desta associação».

Sim, «o tabaco é, com o álcool, o mais terrível adversário da inteligência». (Alexandre Dumas).