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Através de uma aprendizagem global, desde os fundamentos do funcionamento do corpo humano à importância dos relacionamentos na construção da personalidade, passando pelos bons hábitos, visa permitir-lhe assumir o controlo sobre a sua saúde e bem estar.

Lições

A Higiene de vida do Casal

Introdução

Na grelha de programas de muitas estações radiofónicas, há um espaço para abordar os problemas do casal. Uma das maiores estações europeias difundiu, há muito tempo e várias vezes por semana, uma rubrica intitulada ?Um homem, uma mulher?, na qual psicólogos e médicos interrogavam casais com relação conflituosa. Os ouvintes ficaram impressionados, não só pela lucidez dos cônjuges que se defrontavam, como também pelos obstáculos e abismos psicológicos que os separavam, moral e afectivamente. Era como se um misterioso conjunto de circunstâncias os tivesse precipitado, sem remédio, na incompreensão, no desentendimento e no desaire conjugal.

O objectivo desta lição não é tratar todos os aspectos da existência e da felicidade do casal. Desejamos simplesmente mostrar que uma verdadeira higiene de vida (harmonia com as leis da saúde física e mental) contribui, em grande parte, para o desenvolvimento harmonioso da vida do casal. Pensamos, assim, preencher uma lacuna que existe em muitas obras. É necessário saber que a saúde se repercute sempre fortemente sobre o psiquismo e vice-versa. Assim, a nossa finalidade consiste, sobretudo, em apresentar os diferentes aspectos da higiene de vida que o casal deve adoptar, para permitir que o amor mútuo se exprima plenamente e se perpetue. Na verdade, o êxito do casamento depende de vários elementos físicos, afectivos e espirituais.

A felicidade não se encontra numa caixinha de surpresas, mas constrói-se pacientemente. Ela é o resultado de disposições e de caracteres adquiridos, certamente, mas é também resultado de escolhas assumidas e, sobretudo, da procura do que há de mais elevado nos valores humanos.

A felicidade da família

A transformação actual da sociedade leva muitos jovens a abandonarem o seu lar mais cedo do que nunca. Este enfraquecimento dos laços familiares desorienta-os, levando-os a uma espécie de círculo vicioso: as obrigações profissionais e sociais afastam-nos da família, levando este afastamento, como consequência, ao aparecimento de dificuldades sociais. Por isso, estes jovens sentem-se desamparados perante a vida. Todavia, existem soluções para estes casos ao alcance dos pais. Através da comunicação e, sobretudo, pelo exemplo, eles podem criar os seus filhos no respeito das leis da fisiologia e da saúde. Esta aprendizagem de higiene de vida permitirá prepará-los mais facilmente para as decisões que deverão tomar na vida. Podemos também dizer que é informando e educando os pais de hoje que se assegura a felicidade dos casais de amanhã.

Uma vida familiar harmoniosa é geradora de jovens casais equilibrados e felizes.

O encanto feminino

A história e a literatura antigas e modernas apresentam narrações autênticas e lendas, onde são exaltadas as qualidades e o encanto femininos: bondade, delicadeza, paciência, etc.. Toda a gente conhece nomes como Penélope, a Princesa Diana, a Rainha Ester, Branca de Neve, Marie Curie e, mais recentemente, as duas irlandesas e madre Teresa de Calcutá, que receberam o Prémio Nobel da Paz. Com efeito, a nossa época é também pródiga em personalidades fortemente dotadas de sensibilidade e encanto que, muitas vezes o cinema se compraz em exaltar. No entanto, para acompanhar sem dúvida a evolução dos costumes, a mulher deseja, cada vez com mais determinação, identificar-se com o homem. Ela perde, assim, o que a fazia encantadora e até mesmo a sua superioridade. O homem e a mulher, por muito que se queira, não são idênticos nas suas aptidões e características, mas complementares. A igualdade dos sexos aparece, pois, como um falso dado que ameaça o equilíbrio do casal.

A evolução da mulher moderna apresenta elementos positivos: autonomia, prestígio social, desenvolvimento intelectual, entre outros aspectos. Mas ao afastar a mulher da sua vocação de esposa e de mãe, esta evolução tem a tendência para alterar as suas qualidades fundamentais. Permaneceremos atentos ao facto desta situação tornar a experiência da vida em comum mais complicada. De toda a maneira, quaisquer que sejam os seus antecedentes, uma rapariga e um rapaz que pensam unir os seus destinos têm toda a vantagem em conhecer as leis da psicologia feminina e masculina, em particular as da afectividade.

Um bom começo

A maneira de estabelecer relações e de se comportar entre jovens determina, muitas vezes, ao nível dos encontros, a escolha e qualidade do parceiro. Ora, qualquer atitude é motivada profundamente por um ideal, qualquer que ele seja. Este desempenha, consequentemente, um papel importante no sucesso das uniões. É nos primeiros anos da existência que se preparam, com a ajuda dos pais, educadores, amigos ou colegas, os elementos psicológicos do bom entendimento. Com a eclosão da vida sentimental, os jovens encontram, também no amor, o entusiasmo necessário para um começo de vida. Fundamental para eles será entenderem que o importante é compreender que o objectivo do casamento não é a busca da felicidade pessoal, mas a do outro. A felicidade espalhada à sua volta recai, sempre, sobre aquele que a proporciona.

Em geral, a ligação entre dois seres humanos, que se querem unir para a vida, deve ser preparada cuidadosamente, sendo as excepções a esse ideal, a confirmação á regra. É por isso que as relações sexuais precoces são desaconselhadas, mesmo numa época em que a sua vulgarização chega ao extremo de constituir uma necessidade de afirmação ou ser de tal forma banalizada que é um ?lugar comum?. Ser ?virgem? é ser retrógrado, mas, na verdade, as relações sexuais precoces provocam, na personalidade de alguns adolescentes, uma verdadeira lesão que dificilmente se poderá curar.

Há também a considerar a questão da saúde. Nem sempre é fácil calcular os riscos que comporta a união com um parceiro doente. A fronteira entre a generosidade e a falta de reflexão é difícil de estabelecer e discernir. Todavia, é preciso estar atento ao facto de que uma escolha imponderada comprometerá seriamente o futuro e implicará, em todo o caso, sérias limitações que se tornará necessário vir a aceitar. A saúde desempenha, com efeito, um papel importante na felicidade conjugal.

A comunicação

Pensa-se geralmente que, na vida conjugal, o amor é a chave do sucesso. É evidente que ele desempenha um importante papel e, muitas vezes, existem casais que continuam a amar-se, embora estejam à beira da ruptura. E isto devido ao facto de lhes ter faltado, em consequência do modo de vida actual, um elemento muito importante ? a comunicação.

O amor derruba muitos obstáculos mas, quando o diálogo não existe, o amor não pode impedir que o fosso se cave progressivamente entre o homem e a mulher. Quando dois esposos já não conseguem comunicar entre si ou recusam essa comunicação, perderam a arma mais eficaz da sua luta em comum.

Como podem eles, sem comunicação, resolver os seus problemas materiais, económicos, sociais, psicológicos ou sexuais? Apesar de tudo o que o cinema nos mostra sobre o amor, nem sempre é tão apaixonante como os heróis dos filmes o podem fazer crer. Com efeito, o casal tem de aprender a amar-se, pois, na vida real, as coisas não são tão fáceis como no ecrã! Uma atitude agradável e terna, inteiramente aberta ao diálogo, permite a compreensão mútua, o que é importante. Ora, para se compreender, é preciso em primeiro lugar poder exprimir-se.

Quando se é casado, é junto do cônjuge que a necessidade de expressão deve seguir o seu livre curso. Alguns queixam-se da saúde precária da esposa, sem se darem conta de que ela está doente, simplesmente porque eles não a escutam. Para alguém se poder exprimir, é preciso encontrar acolhimento, uma atmosfera de intimidade e de escuta atenta e afável. Existem casais que já não dialogam sobre as coisas essenciais, pessoais; apenas existe troca superficial de impressões. Alguns nem se falam mesmo! Esta situação provoca, numa família, uma atmosfera insustentável. Quando um dos esposos procura fugir a um frente a frente, quando por receio de uma abertura profunda se esquiva sistematicamente a um verdadeiro encontro, ao inventar turbilhões artificiais de actividades, de distracções ou de relações, o casal adoece por falta de comunicação. Esta situação reclama, como qualquer doença orgânica, um remédio eficaz.

Em primeiro lugar, para as pessoas se compreenderem é preciso, como é evidente, desejá-lo! Em seguida, é necessário coragem, pois há muitos preconceitos a quebrar, o que exige humildade e muito amor. E depois, o que ainda é mais difícil, vem a capacidade de reconhecer o facto de todos sermos diferentes, mesmo e sobretudo na forma de amar. É preciso dar ajuda mútua e procurar, antes compreender do que ser compreendido. A experiência conjugal encontra enfim a sua plenitude, quando os dois esposos decidem pôr em conjunto todo o seu ser ao serviço do bem.

Saúde e recreação

Um amável e recíproco interesse pelo bem-estar e a saúde do seu cônjuge é um elemento importante da harmonia do casal. Algumas esposas vivem tão absorvidas com a sua ocupação profissional, a lida da casa, a educação dos filhos, ou com as suas classes de ginástica, que não se apercebem de que o marido sofre, por exemplo, de dificuldades respiratórias. Um homem absorvido pela vida profissional e social pode, por causa disso, chegar a perder o interesse pela sua mulher e não se dar conta de que, desde há algum tempo, as faces do seu rosto começaram a empalidecer. O amor ainda existe, mas já não se exprime e a saúde de ambos degrada-se. Amar é preocupar-se com o outro, sentir-se responsável por ele, respeitá-lo, compreendê-lo e desejar o seu verdadeiro bem. Será bom, também, para a protecção da saúde de ambos, estabelecer um programa regular de exercícios físicos em comum.

Os cônjuges que passam pouco tempo juntos, por causa das suas actividades profissionais, deveriam reservar para eles, cada dia, se possível de manhã, uns momentos para o diálogo. Assim poderiam começar o dia com um pequeno-almoço substancial e tomar tempo para conversar, partilhar os seus projectos e organizar as suas actividades para esse dia. Depois, juntos, deveriam dar um passeio ou praticar um pouco de desporto. É nesses momentos que a confiança aumenta e o corpo rejuvenesce. Com o coração aliviado, os esposos estariam prontos a começarem as suas respectivas ocupações. Os dias começados deste modo, constituem um factor de sucesso e equilíbrio. Dirão que é utópico, mas não poderão ignorar a verdade do facto.

Alguns destes conselhos poderão parecer talvez impossíveis de pôr em prática. Temos plena consciência dos problemas de vida actuais, nas grandes cidades, mas conhecemos cada vez mais citadinos que estão prontos a pôr em causa o estilo de vida, para começarem a viver uma vida de maneira mais saudável.

Um simpático vendedor era muitas vezes convidado pelos seus colegas par almoçar. Mas respondia sempre: ?Lamento recusar, mas nesse dia não estarei livre, tenho já um compromisso para essa refeição.?

Um dia, um dos seus amigos, admirado, disse-lhe: ?Não é possível! Tens um programa de ministro! São os teus clientes que te convidam para almoçar?? ? ?Nada disso?, respondeu o vendedor. ?Almoço com a minha mulher.?

Com efeito, ele encontrava-se todos os dias com a mulher, no parque, para comerem. Sentiam prazer em tomar juntos a refeição equilibrada que ela tinha preparado. Durante esses momentos, partilhavam também os seus problemas e alegrias vividos nessa manhã. Depois, antes de voltarem às suas ocupações, davam um passeio pelo parque, levantando e baixando os braços para se descontraírem.

Este encontro regular nem sempre é possível. Seria bom, então, reservar pelo menos o fim-de-semana para se recrearem juntos.

?O homem não é somente um corpo. O amor não é somente o encontro de dois corpos. Amar é também partilhar palavras, olhares, esperanças e temores.? Martin Gray, O livro da Vida.

Estar juntos

Dois cônjuges pensavam que não tinham nada em comum e afastavam-se um do outro, insensivelmente. Ele gostava de ir ao futebol e passava habitualmente os fins-de-semana em frente da televisão, a beber cervejas atrás de cervejas. Ela gostava de dança clássica e não perdia nenhuma ocasião para ir a um bailado. Um dia, resolveram corajosamente analisar em conjunto a situação. Descobriram que a monotonia e a indiferença se tinham instalado na sua vida quotidiana. Além disso, a saúde tinha-se alterado. O marido adquirira tendência para engordar; a esposa andava sempre ?constipada? por causa dos serões tardios que a esgotavam. Decidiram estabelecer, juntos, uma lista de interesses comuns, sem descurar aqueles que lhes permitissem voltar a desfrutar de boa forma física. Lembraram-se que, na sua juventude, tinham praticado assiduamente a natação e decidiram voltar novamente a praticá-la, duas vezes por semana. Este desporto foi muito benéfico para eles.

Durante um fim-de-semana, descobriram um lago a duas horas de distância do lugar onde moravam. O local agradou-lhes. Resolveram mandar construir aí uma casa. Isto foi o ponto de partida para numerosas actividades manuais e campestres que continuaram a proporcionar-lhes paz e saúde.

Agora, durante a semana, pensam nos passeios que irão dar juntos ou com os amigos. Estes momentos agradáveis e calmos tornaram-se necessários e trouxeram ao rosto de cada um deles serenidade e contentamento. E o futebol? E os bailados? Estará a perguntar. Pois bem! Os nossos amigos dispõem, de tempos a tempos, de oportunidades para assistirem a um desafio ou a uma ópera mas, desta vez, juntos, o que é importante! Aprenderam que tinham mais necessidade da presença um do outro do que de qualquer outra coisa.

Fidelidade

Há um outro domínio onde se elabora a felicidade. A união feliz entre dois seres só é possível se houver uma verdadeira transparência entre eles. Hoje, dá-se à fidelidade um valor relativo, em que os meios de comunicação social se unem para a ridicularizar. A infidelidade tornou-se apanágio obrigatório do indivíduo ?vedeta?, como um sinal de afirmação. Esta pratica-se agora com mais frequência, depois do amor livre ou a liberdade dos costumes terem diminuído a força do sentimento insubstituível que é o amor conjugal.

Devido ao poder do amor, o que faz mal a um atinge igualmente o outro. Um companheiro infiel provoca feridas nas quais se desenvolve o germe da decepção e da amargura. A infidelidade destrói tanto a parte culpada como a inocente.

Para que a vida sexual possa ser bem sucedida, é essencial que esta relação seja exclusiva. A poligamia e a poliandria não convêm nem à estrutura mental, psicológica ou afectiva do ser humano, nem à sublimação das relações íntimas do casal. O amor verdadeiro desenvolve-se e aprofunda-se e é capaz de encher completamente o coração humano porque o cônjuge é a pessoa mais desejada.?Cada casal é único, porque cada ser é único e da união destes dois seres, surge um único? - Martin Gray.

Alguns cônjuges queixam-se de não conseguirem plena satisfação sexual no seu casamento. Muitas vezes, dirigem-se ao consultório dum conselheiro conjugal, onde procuram técnicas capazes, segundo se diz, de salvar o lar. Na verdade as coisas são muito mais simples do que se crê. Se apreciarmos uma vida sã e respeitarmos os princípios fundamentais de uma boa higiene de vida, se tivermos espírito aberto e cultivarmos um amor verdadeiro, o problema sexual deixará de existir por si mesmo. Para além de alguns casos patológicos muito particulares, um corpo com boa saúde, guiado por um espírito são, permitirá ao indivíduo ter uma vida sexual e amorosa plena.