Construir em Amor Família

Extraordinário curso em 10 lições, com questionários incluídos, ideal para refletir, realizar um diagnóstico e reconstruir os relacionamentos familiares, sempre com a palavra e a noção de Amor como fundamento.

Lições

Perdão: Difícil mas Necessário

Se, num relacionamento a dois, marido e mulher, têm dificuldade em perdoar-se um ao outro, será muito difícil sustentar a sua união por muito tempo.

Saber perdoar é um requisito básico para que haja felicidade conjugal! Jesus disse:

?Não julguem a ninguém, e Deus não vos julgará. Não condenem os outros, e Deus não vos condenará. Perdoem aos outros, e Deus vos perdoará? (Lucas 6:37).

João Wesley, o fundador do Metodismo, conversava com o General James Oglethorpe quando este lhe declarou: ?Eu nunca perdoo.? Wesley replicou: ?Então espero que nunca peques.?

I - Porque é tão Difícil Perdoar?

O ser humano tem a natureza afectada pelo pecado, e, quando uma pessoa sofre maus tratos, rejeição, ou o seu cônjuge faz algo que não deveria ter feito, a pessoa sente-se agredida e a natureza humana clama por vingança. Não são poucas as vezes em que a pessoa se deixa dominar pelo ódio. Quando o ódio, a raiva ou a vingança estão presentes no coração de alguém, torna-se muito difícil compreender a importância de perdoar, bem como desenvolver o desejo de fazê-lo.

O perdão é o óleo dos relacionamentos: reduz o atrito e faz com que as pessoas se aproximem umas das outras. Uma pessoa com ressentimentos é incapaz de desenvolver relacionamentos profundos e verdadeiros. Um cônjuge ressentido destrói a possibilidade de intimidade no casamento, especialmente na área da comunicação. O outro cônjuge viverá com medo de ofender, sem coragem de comunicar-se com franqueza, receoso de que o parceiro se aproveite da sua vulnerabilidade. Finalmente, a amargura e o ressentimento vão dominar o relacionamento.

Quando a prática do perdão é comum no casamento, leva a uma intimidade crescente porque gera abertura na comunicação. Sentir-se amado a despeito dos seus erros e aceite, mesmo depois de ter ofendido o outro, leva a um sentimento de gratidão e a retribuir o amor assim manifestado com um amor mais profundo.

Atribui-se à esposa de Billy Graham a frase: ?Um casamento bem sucedido é o resultado da união de dois grandes perdoadores.? Sem perdão não há relação conjugal de êxito, pois vem sempre o momento em que, mesmo involuntariamente, nos magoamos um ao outro.

II - O que Não é Perdão

Muitas vezes, a dificuldade em perdoar vem do facto de possuirmos conceitos errados acerca do perdão.

Perdoar não é esquecer. Ouvimos muitas vezes dizer que perdoar é esquecer. Como esquecer uma traição, uma violência, ou uma humilhação? O esquecimento tem mais a ver com a negação do que com o perdão. É porque nos lembramos da ofensa que há motivo para perdão.

Perdoar não é negar a ofensa. Uma ofensa que pode passar inadvertida não é motivo para perdão. Se a ofensa foi importante e se passa por alto, tarde ou cedo se tornará insuportável e se manifestará com violência. O perdão exige o reconhecimento da ofensa, pelo menos por parte do ofendido.

Perdoar não é desculpar. Desculpar é não atribuir a culpa, é libertar da responsabilidade moral. Se não há responsabilidade moral, então não há motivo para perdão. O perdão aplica-se aos actos injustificados, intencionais e premeditados. Desculpamos os erros, mas perdoamos as agressões.

III - O que é o Perdão?

Perdão significa apagar, suprimir o que é devido, abandonar o ressentimento, desobrigar de um débito, cancelar o castigo; aceitar pessoalmente o preço da reconciliação, retirar as queixas contra quem nos magoou. No casamento, não significa apenas dizer ?eu perdoo-te?, mas também aceitar e ultrapassar as consequências emocionais da mágoa, fazer com que não haja mais ressentimentos, não importa quantas razões tenhamos para estarmos magoados.

Perdão também significa desistir ou ?dar de mão?. Se alguém violenta os nossos direitos, o perdão é desistir do direito de reagir e de pagar na mesma moeda, não importa o quanto sintamos que a vingança é justificada. Perdoar é mostrar misericórdia, não exigir justiça.

Por tudo isto, perguntamos: ?É fácil perdoar?? Não! Só que sem o perdão, é difícil sustentar uma união. Encontramo-nos então numa encruzilhada: não perdoar, e viver cheios de ressentimentos e infelizes, com o risco de destruir o casamento... ou perdoar e restaurar o relacionamento. No seu livro A Terapia do Perdão, Mário Pereyra diz que:

O perdão é uma decisão. Não se trata de uma emoção nem de um sentimento, mas de algo sujeito à vontade. A mágoa justificada ao sofrer a ofensa não se elimina por decreto, mas é necessário tomar a decisão de pôr fim aos pensamentos que alimentam a irritação e fortalecer a vontade de perdoar.

O perdão é uma atitude. É uma disposição, ou predisposição, para responder ou conduzir-se de determinada maneira face a certas situações. Jesus disse a Pedro que devia perdoar ?setenta vezes sete?, o que significa desenvolver uma atitude perdoadora que predisponha a perdoar sempre que se apresente a necessidade de fazê-lo.

O perdão é um processo. Há ofensas muito graves, que não é possível o ofendido perdoar ?no dia seguinte?. Há um percurso a fazer do rancor ao perdão, que passa pelo querer perdoar, pelo reconhecimento dos defeitos, mas também das virtudes do ofensor, pela empatia, pelo conseguir calçar os sapatos do outro, pela confrontação com o outro e consigo próprio, reconhecendo que também temos ofendido, pelo separar o pecado do pecador.

?Sejam amáveis e prontos para perdoar; jamais guardem rancor. Lembrem-se que o Senhor vos perdoou, portanto também devem perdoar os outros? (Colossenses 3:13).

IV - Os Dois Lados da Moeda

A ? Se é o ofensor

Se deseja ser feliz no casamento, necessita de compreender o processo de recuperação de um relacionamento. Aquele que errou ou ofendeu, precisa de demonstrar que está desejoso de ser perdoado. Como?

1) Confessar e demonstrar que lamenta o ocorrido:

Confesse o mal sem procurar desculpas. Demonstre que lamenta qualquer dano que tenha causado. Expresse genuína tristeza, mostrando que percebe o sofrimento que a outra pessoa sente. Diga sinceramente: ?Sinto muito.?

2) Aceitar a responsabilidade pelo que fez:

Aceite a responsabilidade pelos seus actos, dizendo de que modo acha que contribuiu para a ocorrência do incidente. Embora ninguém goste de admitir os seus erros, faça-o. Desculpar-se não significa humilhar-se, pelo contrário, reconhecer que se cometeu um erro exige grande dignidade. Diga: ?Perdoa-me pelo que fiz.?

3) Esclarecer se não foi de propósito:

Se não teve a intenção de magoar ou causar dano, diga-o explicitamente. Explicar que não se teve a intenção de magoar ou prejudicar a outra pessoa tem um grande poder apaziguador.

4) Respeite a mágoa do outro:

Não desvalorize nem julgue os sentimentos de mágoa do outro. Manifeste o desejo de ser perdoado. Dê ao outro o tempo necessário para poder perdoar.

5) Reparar os danos:

Ofereça-se para reparar os danos tanto quanto possível. Esta será a maior prova de arrependimento e de vontade de mudança.

B ? Se é o ofendido

Se é o ofendido, precisa de compreender o que é o perdão para, mais facilmente, realizar esse processo e restabelecer a confiança e a harmonia afectadas.

1) Perdão não é justificar ou desculpar o erro.
2) O perdão não requer que o erro seja esquecido.
3) O perdão não exige a negação do seu sofrimento, mágoa ou raiva.
4) Perdão não significa abafar a sua angústia. Deve manifestá-la.
5) O perdão nem sempre significa uma reconciliação instantânea e plena.
6) Perdoar não é fingir.
7) Perdoar é aceitar a outra pessoa, mesmo sabendo que ela agiu de forma inaceitável.
8) Perdoar é dar um sorriso de amor silencioso ao cônjuge e engolir as palavras de insulto que estavam na ponta da língua.
9) O perdão não desfaz aquilo que foi feito, mas capacita a pessoa que perdoa a aceitar o ofensor e continuar a construir a partir daí.

A pessoa que sente o desejo de perdoar, é a primeira a ser beneficiada com o perdão, pois fica livre do rancor e dos desejos de vingança. Assim libertada, até pode tomar a iniciativa da reconciliação.

Pensamento Bíblico:

?De facto, se perdoarem aos outros as suas ofensas, o Pai celestial também vos perdoará. Mas, se não perdoarem aos outros, o vosso Pai também vos não perdoará? (II Coríntios 2:7).