Construir em Amor Família

Extraordinário curso em 10 lições, com questionários incluídos, ideal para refletir, realizar um diagnóstico e reconstruir os relacionamentos familiares, sempre com a palavra e a noção de Amor como fundamento.

Lições

Educar para a Vida: Amando

?Pais, não irritem os vossos filhos. Mas eduquem-nos com disciplina e equilíbrio, em nome do Senhor? (Efésios 6:4).

Na última década, a Ciência descobriu muita coisa sobre o papel da emoção na nossa vida. Os pesquisadores verificaram que, mais do que o QI, a percepção emocional e a capacidade de lidar com os sentimentos determinam o sucesso e a felicidade das pessoas em todos os sectores da vida, inclusive o das relações familiares. Para os pais, aquilo a que muitos chamam ?inteligência emocional? significa perceber os sentimentos dos filhos e ser capaz de os compreender, tranquilizar e guiar.

Deus poderia ter trazido os nossos filhos ao mundo de maneira completamente diferente. Poderia ter feito com que eles crescessem e se desenvolvessem em poucos meses, ou até em semanas. Os animais e os pássaros tornam-se maduros apenas em alguns dias, semanas, ou na pior das hipóteses, em poucos anos. Mas o desenvolvimento de uma criança leva longos anos, até ela se tornar o que deve ser. Os filhos são dados aos pais para que os mesmos supram as suas necessidades ? afectivas, físicas e espirituais ? e para os guiar neste mundo. Tanto o pai como a mãe são essenciais para que a criança possa desenvolver uma personalidade equilibrada e tornar-se um cidadão de valor, contribuindo de forma positiva para a sociedade.

I - A maior Necessidade das Crianças

Todos os educadores estão, hoje, de acordo sobre a importância de suprir as necessidades afectivas da criança como base para um desenvolvimento saudável. As crianças precisam de contacto humano e de afecto, e não apenas de ser alimentadas, aquecidas e lavadas. Se isso não lhes for dado, podem até morrer, como foi demonstrado em pesquisas feitas com os órfãos, após a II Guerra Mundial. As crianças que viviam em hospitais e instituições e que eram bem cuidadas sob o plano físico, morriam mais do que aquelas que, entregues a famílias aldeãs, não recebiam tantos cuidados sanitários, mas recebiam carinho, amor e contacto físico.

Manifestar amor aos filhos é, pois, a principal tarefa dos pais e o seu principal recurso educativo.

a) Amor incondicional

?O amor é sofredor, é benigno, não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça mas folga com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha? (I Coríntios 13:4-8).

Este texto fala precisamente do amor incondicional, o amor que não depende das proezas, das competências, da beleza, nem do comportamento dos filhos. Não quer dizer que amamos ou aprovamos sempre o seu comportamento, mas que amamos os nossos filhos mesmo quando, por momentos, detestamos a sua conduta.

Se os amamos só quando nos agradam, então eles não se sentirão verdadeiramente amados. Isso destruirá o seu sentimento de segurança e a confiança em si mesmos, impedindo-os de alcançar um comportamento mais maduro.

Quase todos os pais amam incondicionalmente os filhos, mas nem sempre os filhos o sabem. Há muitos adultos que morrem, pensando que foram um estorvo e um desapontamento para os seus pais. O amor deve ser dito por palavras e manifestado por gestos.

b) Contacto visual

O contacto visual é essencial não apenas para comunicar com a criança, mas para preencher as suas necessidades emocionais. Mesmo inconscientemente, utilizamos o olhar como um meio para comunicar amor aos nossos filhos. Estes usam também o contacto visual com os pais e com outros, para se nutrirem emocionalmente.

O contacto visual consiste em olhar a criança nos olhos quando comunicamos com ela, quando a ouvimos, quando lhe dizemos que a amamos e lhe fazemos elogios, quando lhe sorrimos e não apenas quando queremos que nos ouça para ralhar e repreender.

c) Contacto físico

O contacto físico parece ser o meio mais evidente de manifestar amor. No entanto, muitos pais tocam nos filhos apenas quando isso é estritamente necessário, como para os ajudar a vestir, a despir, a entrar no carro, etc..

Quando falamos de contacto físico, falamos, como é óbvio, de beijos, abraços, carícias? mas também em colocá-los no colo, aos ombros, ter jogos e brincadeiras corpo a corpo, em que o toque físico seja natural e espontâneo, sem ser exagerado.

d) Atenção concentrada

A atitude de amor para com os filhos, mais difícil de manifestar por parte dos pais, é, sem dúvida, a atenção concentrada, porque exige tempo e total disponibilidade, algo que os pais têm muito pouco nos tempos que correm.

A atenção concentrada consiste em dar ao filho ? criança, adolescente ou adulto ? uma atenção plena e não dividida de maneira a que ele sinta, sem qualquer dúvida, que é amado e que tem suficiente valor em si mesmo para justificar um interesse sem distracção, um apreço e uma consideração incondicional por parte dos pais.

Como todos os pais vivem muitíssimo ocupados, é necessário que estabeleçam uma escala de prioridades na qual o urgente não suplante o importante. Ter uma atenção concentrada para com os filhos faz parte do importante. No entanto, não são necessárias horas diárias de atenção concentrada; para as crianças, bastam alguns momentos privilegiados. Quando lhes damos meia hora de atenção, seremos compensados, pois eles, assim satisfeitos, nos darão horas de tranquilidade. Claro que à medida que crescem a sua necessidade de atenção varia no tempo e na exigência. Mas os pais serão largamente compensados com este investimento.

Uma criança que cresce recebendo contactos físicos e visuais assim como atenção concentrada, estará mais à vontade consigo própria e com os outros, será mais apreciada, terá uma melhor opinião de si mesma, desenvolverá ao máximo todas as suas capacidades e fará a alegria dos pais.

II - Amar Conversando

Além do contacto físico, há muitas outras maneiras de manifestar o amor. A mais óbvia é através das palavras. Todos temos necessidade de reconhecimento, de ser notados e de receber dos outros elogios sinceros. Uma criança pequena manifesta essa necessidade dizendo com as palavras e com o comportamento (nem sempre o mais agradável): ?Olhem para mim!?

a) Enviar mensagens positivas

Dizemos às crianças que as amamos ao transmitir-lhes mensagens positivas:

?Aprecio muito a forma como ajudas o teu irmão!?
?Aconteça o que acontecer, és muito importante para nós!?
?Sabemos que és um miúdo como deve ser.?

Dizemos-lhe que não as amamos ao transmitir-lhes mensagens negativas:

?Que desajeitado me saíste!?
?És tão mole que só me dá vontade de abanar-te.?
?Quando Deus distribuiu a inteligência, tu estavas na casa de banho!?

As expressões negativas levam a criança a ter uma imagem negativa de si própria. A auto-imagem constrói-se desde os primeiros momentos da vida. Achar-se bonito ou feio, inteligente ou pateta, capaz ou incapaz, bom ou mau aluno, merecedor de amor ou de crítica, tudo passa pela imagem que nós, pais e mães (e outras pessoas importantes na sua vida, como avós, professores, amigos?) lhes espelhámos. Somos muito mais felizes e optimistas quando gostamos de nós e acreditamos nas nossas possibilidades, pois, assim, o sucesso nos acompanhará. A psicologia confirma aquilo que a Bíblia diz há milénios: ?Como o homem pensa no seu coração, assim é? (Provérbios 23:7).

Mesmo quando se portam mal e temos que repreendê-los, devemos ter cuidado em não os humilhar, diminuir, expor os seus erros diante de outros, compará-los com os outros ou usar a culpa ou o medo para os controlar.

b) Comunique com eficácia

Inicie frases por ?Eu? ? Começar por ?tu? é habitualmente sinónimo de acusação e faz as crianças encolherem-se, defenderem-se ou calarem-se, em vez de terem vontade de partilhar as suas ideias e de ouvir o que temos para lhes dizer.

Centre-se no presente ? Tente perceber o mundo dos seus filhos mais do que usar o seu mundo como referência. Nunca inicie uma frase dizendo: ?Quando eu tinha a tua idade?? O mundo é diferente e os mesmos princípios devem ser ditos de maneiras novas.

Não faça dramas dos pequenos erros ? Aponte antes para o que deve ser melhorado. Não generalize, descreva de forma específica o que deve ser melhorado.

Faça-o sentir-se único ? Não o compare com ninguém, só com ele próprio. Diga-lhe: ?Hoje fizeste melhor do que ontem, amanhã farás melhor do que hoje.?

Faça-lhe elogios ? Sempre que o seu filho fizer coisas agradáveis, elogie-o, abrace-o, fale aos outros do seu bom comportamento.

Seja verdadeiro ? Não finja que é perfeito, não se ponha em cima de um pedestal. Não se mostre permanentemente frio e emocionalmente distante. Ria-se dos seus próprios disparates, não se leve demasiado a sério e aceite as suas próprias insuficiências. Os nossos filhos serão tão abertos connosco como nós o formos com eles.

Procure a orientação de Deus ? Lembre-se que ?os filhos são uma dádiva do Senhor. Eles são uma verdadeira bênção? (Salmo 127:3). Esta promessa só poderá realizar-se plenamente se os pais, conscientes das suas limitações, procurarem sinceramente e com humildade a orientação de Deus na Sua Palavra, a Bíblia Sagrada. A oração proporciona inspiração, sabedoria e autoridade aos pais que confiam no Senhor e se deixam guiar por Ele.

?Pais, a vossa obra é desenvolver nos filhos a paciência, a constância e o amor genuíno. Lidando correctamente com os filhos que Deus vos deu, estão a ajudar a pôr o fundamento de um carácter puro e bem equilibrado. Estão a infundir--lhes na mente princípios que eles um dia seguirão na sua própria família. O efeito dos vossos esforços bem dirigidos ver-se-á quando eles dirigirem a sua casa no caminho do Senhor.? ? Ellen White, Orientação da Criança, p. 174.