Construir em Amor Família

Extraordinário curso em 10 lições, com questionários incluídos, ideal para refletir, realizar um diagnóstico e reconstruir os relacionamentos familiares, sempre com a palavra e a noção de Amor como fundamento.

Lições

Um Projeto Maravilhoso

O casamento não é uma invenção humana. Não surge da necessidade de acasalamento para a propagação dos genes e a continuidade da espécie; nem da necessidade social de organização das sociedades; nem da necessidade económica de protecção e manutenção dos patrimónios. O casamento é um projecto de Deus para o ser humano. Deve ser considerado como uma dádiva do Céu, uma bênção maravilhosa dada pelo próprio Criador. Foi Deus quem presidiu ao primeiro casamento e o instituiu, enunciando o tipo de relacionamento que ele implica: ?Deixará o homem o seu pai e a sua mãe, se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só pessoa? (Génesis 2:24). No pensamento de Deus, o casamento é a união de duas pessoas que se amam, que escolhem e constroem um projecto de vida comum, atingindo uma união única e exclusiva.

Se é verdade que foi Deus quem instituiu o casamento e realizou a primeira cerimónia matrimonial no Éden, não é menos verdade que a sua manutenção é feita aqui na Terra. A felicidade do casamento é algo que deve ser construído a dois e que é da responsabilidade dos dois.

Ser bem sucedido no casamento é atingir um grau de companheirismo e carinho profundo, que cresce com o passar do tempo. Isto significa que há um preço a pagar. Cada um, marido e mulher, têm a sua parcela de contribuição a dar para a felicidade do lar. Dar de si mesmo ao outro: eis o segredo da felicidade conjugal.

Surge então uma pergunta: ?O que se pode fazer para se viver unido a uma pessoa para sempre??

I - Amor, o Elemento Fundamental

A maior necessidade do ser humano, em qualquer período e em qualquer situação da vida, é ser amado. Deus criou o casamento como resposta a essa necessidade de amor, de companheirismo, de intimidade, física e emocional, na idade adulta.

A - O que é o Amor

Existe uma enorme confusão na mente dos nossos contemporâneos sobre o amor.

Na nossa sociedade materialista, o amor tornou-se um bem de consumo, sinónimo de desejo sexual acompanhado de sentimentos arrebatadores de enamoramento.

Ora o amor que leva ao casamento não é apenas um sentimento bonito ou um desejo arrebatador, é uma atitude global do ser, orientada para o bem e o crescimento pessoal do cônjuge. O amor manifesta-se assim, não apenas pelo desejo sexual, mas também pela ternura e sobretudo pelo cuidado com o bem-estar e a felicidade do outro. Quem ama cuida. Amar implica ser capaz de renunciar aos seus próprios interesses, gostos e desejos, pelo bem do cônjuge. É este tipo de amor, que se compromete e investe, que leva o casal a uma intimidade satisfatória. Intimidade não apenas dos corpos mas das almas.

B - Maneiras diferentes de viver o amor

Os homens e as mulheres vivem e manifestam o amor de maneiras diferentes. A diferença de género não é apenas biológica mas também intelectual e afectiva.

A MULHER

a) De natureza intuitiva tem, geralmente, um temperamento mais romântico do que o homem.
b) Vive mais intensamente as emoções. Comove-se mais, chora e ri mais facilmente do que o homem. A sua afectividade torna-a mais compassiva e mais terna.
c) Necessita mais do que o homem de uma manifestação regular de carinho e afecto.
d) O amor na mulher supera, geralmente, a questão do prazer físico para se estender ao campo psíquico; a união moral, sentimental e espiritual com aquele a quem ama, assume facilmente o lugar principal no seu espírito.
e) Manifesta o seu amor através de palavras de ternura, olhares amorosos, carícias, presentes e atenção particular. Espera ser amada da mesma maneira.
f) A mulher move-se por sentimentos.

O HOMEM

a) É mais frio, menos sentimental e tem menos o coração na mão.
b) Por ser menos sensível, menos emotivo, deixa-se vencer menos pela compaixão e piedade.
c) O seu amor é mais reflexivo, correspondendo à sua natureza mais racional. Dizer que o homem ama com reflexão não quer dizer que não ama. Ama no seu estilo de homem, apaixonada mas serenamente.
d) Manifesta o seu amor com alguma ternura, mas sobretudo agindo e realizando tarefas, construindo-se uma posição, um nome, uma reputação que levem a mulher a sentir-se orgulhosa dele. O homem sente-se amado quando é reconhecido e valorizado pela mulher.
f) O homem move-se por raciocínios.

Estas diferenças na afectividade feminina e masculina exigem dos cônjuges o desenvolvimento de uma grande capacidade de escuta e de resposta às necessidades um do outro, para que as frustrações afectivas não se instalem, minando a relação. Uma grande parte dos casais em crise já não acredita no amor um do outro. Quando se instala a desconfiança afectiva torna-se muito difícil a recuperação da relação.

Conhecer as necessidades afectivas do seu cônjuge e aprender a supri-las é a maior prova de amor e de maturidade no matrimónio.

II - Como Manter Vivo o Casamento?

O casamento representa o relacionamento mais íntimo e mais profundo que se possa estabelecer entre dois seres humanos, aquele que maior felicidade e realização pode proporcionar. Mas é também o que maior sofrimento pode causar se os cônjuges não desenvolverem comportamentos e atitudes que mantenham vivos o amor e a relação.

Como em todas as coisas da vida, também no casamento nada cai do céu. Os casais que têm um casamento feliz não têm mais sorte, não são mais inteligentes, ricos ou psicologicamente mais astutos que os outros. Simplesmente adoptaram uma estratégia inteligente para viver o dia-a-dia: impedir que os seus pensamentos e sentimentos negativos recíprocos (aliás, algo que é comum em todos os casais) dominem os positivos.

Eis alguns aspectos dessa estratégia:

1 ? Reconhecer o valor do seu casamento

Uma das razões mais tristes que põe fim a um casamento é o facto de nenhum dos cônjuges reconhecer o seu valor antes que seja demasiado tarde.

Um forte compromisso para com o seu casamento, manifestado na determinação de o manter e corrigir, levará a uma união cada vez mais forte apesar de todas as dificuldades que esta possa encontrar. A vontade de permanecer juntos, custe o que custar, transforma as dificuldades em desafios e em factores de crescimento.

2 ? Aceitar as diferenças

Já percebeu que alguns casais vivem constantemente em desacordo? Porque é que isto acontece? Alguns cônjuges levam anos tentando cada um mudar o outro, o que apenas contribui para a promoção da discórdia. Não é possível mudar o outro. A única pessoa que podemos mudar é a nós mesmos. Lembre-se quão diferente é do seu cônjuge, do seu estilo de vida, personalidade, valores, da sua maneira de ver e sentir determinadas coisas. O procurar combater essas diferenças terá apenas sucesso em perder tempo e em prejudicar o seu casamento.

Em vez disso, precisa de compreender qual é a diferença básica que, num dado momento, está a causar um conflito entre vós ? e aprender a viver com isso, aceitando e respeitando-se um ao outro. Somente assim serão capazes de criar um significado comum e um senso de propósito no vosso casamento. Só uma atitude de aceitação e respeito promoverá as mudanças possíveis. Karl Young disse que ?só podemos mudar aquilo que aceitamos?.

3 ? Corresponder positivamente

Alguns conselheiros acreditam que o que distingue um bom casamento de outro que fracassou é que, nos bons casamentos, os cônjuges respondem às aberturas positivas do outro da mesma forma. Noutras palavras, retribuem um sorriso com outro sorriso, um beijo com outro. Quando um ajuda o outro nos afazeres domésticos, um deles retribui espontaneamente, e assim por diante. No fundo, o casal funciona com um acordo implícito de oferecer recompensa por cada palavra ou acto gentil.

4 ? Dois grandes amigos

Um casamento feliz é o resultado de uma boa e profunda amizade entre os cônjuges. Isso significa respeito mútuo e prazer na companhia um do outro. Partilham pensamentos, sentimentos, preocupações e projectos. Nesses casamentos, os cônjuges conhecem-se intimamente ? são versados nas suas mútuas preferências, aversões, peculiaridades pessoais, esperanças e sonhos. Têm permanente consideração um pelo outro e expressam essa afeição não apenas de forma notória, mas de forma subtil, nas pequenas coisas do dia-a-dia.

Lembre-se de que a amizade alimenta as chamas do romance porque desfaz a sensação de serem adversários um do outro, promovendo, assim, a aceitação e a confiança mútuas.

5 ? Auxílio mútuo

Casamentos sólidos são aqueles em que marido e mulher partilham um profundo senso de significados na vida em comum. Eles não apenas ?se entendem?, mas também apoiam as esperanças e aspirações um do outro e incorporam um senso de propósito à sua vida a dois. Sabem que podem, em todas as situações, contar com a compreensão e o apoio um do outro, sem serem julgados nas experiências de erro ou de fracasso, o que lhes dá um sentimento de compreensão, segurança e união.

6 ? Procurar conhecer o companheiro

É importante que os cônjuges estejam intimamente familiarizados com o universo um do outro. Com isto queremos dizer que cada um necessita de ter um conhecimento completo e minucioso do mapa afectivo do seu companheiro. É preciso deixar de pensar no que o cônjuge deve pensar, sentir, fazer e aprender o que ele realmente pensa, faz ou sente. Procure lembrar-se dos eventos significativos da história de cada um e manter actualizadas as informações, à medida que os factos e sentimentos do mundo do cônjuge se modificam. Isso envolve conhecer os objectivos de vida, preocupações e esperanças um do outro. Porque, se não se conhece realmente uma pessoa, como se poderá amá-la? Os casais que têm mapas afectivos detalhados um do outro estão mais bem preparados para lidar com acontecimentos stressantes e situações de conflito.

7 ? Respeitar a individualidade

No casamento há períodos em que cada cônjuge se sente atraído pelo seu amado e outros em que sente necessidade de recuar e reafirmar o seu senso de autonomia. Algumas pessoas têm necessidade de um contacto mais frequente; outras, de mais independência. O casamento pode funcionar mesmo que as pessoas se situem nos extremos opostos ? desde que sejam capazes de entender a razão das suas emoções e respeitar as suas diferenças. Se isso não acontecer, é possível que se desenvolvam sentimentos de mágoa.

Se sente que o seu cônjuge o trata com indiferença nas pequenas coisas ao longo do dia, ou que a ideia dele de convivência e proximidade é sufocante, o melhor a fazer é falar com franqueza. Examinar juntos esses momentos fará com que se conheçam melhor e ajudá-los-á a saber como dar ao outro o que ele necessita.

É importante lembrar que união não significa fusão e que cada cônjuge deve ter direito à sua individualidade, sem que isso represente uma ameaça para a relação conjugal. Que represente, antes, um enriquecimento mútuo e uma mais-valia.

8 ? Dividir responsabilidades e tomar decisões de comum acordo

Os casamentos mais felizes e mais estáveis são aqueles em que não há receio na divisão de responsabilidades e em que o marido não se opõe à divisão de autoridade e tomada de decisões com a esposa. Os estudos têm mostrado que os casamentos em que o marido, ou a mulher, resiste em dividir a autoridade têm quatro vezes mais probabilidade de terminar ou de se arrastar em infelicidade do que os casamentos em que a autoridade é partilhada.

Quanto mais o marido e a mulher forem capazes de se escutarem um ao outro e de aceitarem e respeitarem o ponto de vista um do outro, maior será a probabilidade de encontrarem uma solução, ou uma maneira de resolverem os problemas, que satisfaça a ambos. Se o casal não estiver aberto às necessidades, opiniões e valores um do outro, as oportunidades de acordo serão raras.

9 ? Resolver problemas

Todo o casamento é uma união de dois indivíduos que levam para ele as suas opiniões, peculiaridades, valores e expectativas. Assim, não é de admirar que, pessoas casadas tenham que enfrentar uma profusão de problemas conjugais.

Um casal de êxito não é aquele que não tem conflitos, mas aquele que aprende a desenvolver estratégias para os solucionar de maneira construtiva, aprendendo e crescendo com ele.

O psicólogo Dan Wile, no seu livro Depois da Lua-de-Mel, diz: ?Ao escolher um parceiro para a vida toda ... estará, inevitavelmente, a escolher um determinado conjunto de problemas insolúveis com os quais estará envolvido nos próximos dez, vinte ou cinquenta anos.?

10 ? Manter vivo o romance

O romance compõe-se de fantasias, emoções e deleites não racionais ? algo diferente do lugar comum. Trata-se de momentos ou eventos especiais para duas pessoas. O que é especialmente romântico para um casal pode não o ser para outro.

Os casais devem manter ou criar alguns dos momentos e gestos que edificaram o seu amor antes do casamento, pois, o romance dá brilho e encanto à relação. Beijos, presentes, bilhetes com mensagens de afecto e elogio, flores, cortesia e saídas especiais a dois, quando possível, podem trazer vida e encanto a casamentos gastos e áridos.